Um dia de Fusca

iG Minas Gerais |

DANIEL IGLESIAS –19.6.2011
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Ele é tão querido e importante que, diferentemente do convencional, quando o comum é escolher um dia do ano para celebrar alguma data, nosso personagem da semana conta com duas. Falamos do simpático Fusca, que reserva para comemorar a sua existência, um dia no mês de junho e outro em janeiro. No primeiro é comemorado o dia mundial e no segundo, que aconteceu ontem, dia 20, terça-feira, os discípulos do “besouro” levantam um brinde para marcar seu dia nacional. Como o nosso Fusquinha – apenas no Brasil o VW Sedan recebeu alcunha própria – não se faz de rogado, seus súditos levantam brindes para reverenciá-lo em seu dia. A coluna da semana rende justa homenagem para o pioneiro de toda uma geração. Tributo a um guerreiro que tem muitas histórias para contar. O primeiro carro de milhões de brasileiros merece ser reverenciado por tudo o que ele representou na vida de tantos que o conheceram mais intimamente. Foram produzidos no Brasil 3,1 milhões de unidades, e muitas delas ainda rodam inteiras e valentes pelos mais distantes pontos do país. O Fusca também contribuiu para a economia do Brasil, afinal, temos na indústria automobilística um importante pilar de geração de renda. Incontáveis são os que aprenderam a dirigir ao volante de um Fusca, e tantas outras pessoas tiveram o carrinho como o primeiro de muitos outros em suas vidas. Já dizia meu avô que “nada mais se parece com um automóvel do que um Volkswagen”. E ele podia afirmar isso com a propriedade dos que nasceram no fim do século XIX e que tiveram a oportunidade de assistir, de camarote, à evolução da indústria automobilística mundial. Seu primeiro automóvel, como ele se referia aos carros, foi um Ford T, mas, certamente, teve um Fusquinha em sua garagem. Meu pai também, tios e tantos outros conhecidos que seria impossível citar todos. Criado por Ferdinand Porsche, o Fusca surgiu na Alemanha, em 1938, para se tornar o “carro do povo”, como já estava previsto na escolha de seu nome. No Brasil, chegou importado, em 1950, e, nove anos depois, com a instalação da fábrica de Anchieta, em São Paulo, ganhou linha de montagem própria. Até hoje, depois de 56 anos da primeira unidade inteiramente nacional – o que ocorreu em 3 de janeiro de 1959 – um modelo bem-conservado, brilhando e todo original é motivo para um desviar de atenção. O número de clubes que reúnem fãs do Fusca atesta a informação. Nenhum filme enfocando automóveis fez tanto sucesso como “Se Meu Fusca Falasse”, no qual o carro foi humanizado na figura de Herbie, nome dado ao Fusquinha, protagonista da trama e que se tornou um herói. São tantas as histórias sobre o Fusca que, por aqui, ele comoveu até políticos, quando, a pedido pessoal do então presidente Itamar Franco, teve, em 1994, sua linha de produção reativada. Por mais dois anos, ele voltou a sair zero-quilômetro da fábrica, e essa safra é hoje motivo de cobiça para os colecionadores. O México foi o último país do mundo a encerrar a produção do modelo. Aí o Fusca saiu de linha passando a fazer parte da história.

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