FMI reduz previsão de crescimento mundial para 2015 e 2016

Brasil, China e Rússia estão entre as economias com menor desenvolvimento previsto para 2015, segundo Fundo Monetário Internacional

iG Minas Gerais | AFP |

Até julho, a produção da Petrobras tinha aumentado 1,5% na comparação com o mesmo período de 2013
Divulgação/Petrobras
Até julho, a produção da Petrobras tinha aumentado 1,5% na comparação com o mesmo período de 2013

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou nesta segunda-feira  (19) para baixo suas previsões de crescimento global para 2015 e 2016, em particular para Brasil, China e Rússia, apesar do impulso proporcionado pela queda dos preços do petróleo.

Segundo as novas previsões do FMI, o PIB mundial avançará 3,5% este ano e 3,7% em 2016, com uma redução de 0,3 ponto em relação aos percentuais anunciados em outubro passado para os dois anos.

"A queda dos preços do petróleo - produzida em grande parte pelo aumento da oferta - estimulará o crescimento mundial, mas este estímulo se verá amplamente superado por fatores negativos", afirma o Fundo em seu último relatório.

De acordo com o FMI, a queda nos preços do petróleo - superior a 55% desde setembro passado - favorecerá em geral os países importadores, mas "oculta profundas diferenças de crescimento entre as grandes economias".

Neste cenário, o FMI elevou em 0,5 ponto sua previsão de crescimento para os Estados Unidos, a 3,6%, mas reduziu a expectativa de crescimento da China em 2015 para 6,8%, o menor avanço para a segunda economia do planeta em 25 anos.

Em outubro passado, o Fundo havia antecipado um crescimento de 7,1% em 2015 para a China, o menor nível desde 1990, mas que se mantinha acima dos 7%. Para 2016, o FMI prevê um crescimento ainda mais moderado para os padrões chineses, de 6,3%.

"O crescimento dos investimentos na China caiu no terceiro trimestre de 2014, e os indicadores apontam para baixo", uma tendência que se manterá até 2016, assinala o relatório.

A Rússia, segundo o FMI, deverá amargar em 2015 uma queda no PIB de 3%, devido ao impacto acumulado da queda dos preços no petróleo e das sanções econômicas ligadas à situação na Ucrânia. Em outubro passado, o FMI previa um crescimento russo de 0,5%.

Para o Brasil, o Fundo prevê um 2015 com crescimento de apenas 0,3%, uma redução drástica em relação ao avanço do PIB de 1,4% anunciado em outubro passado.

O Fundo reduziu sua expectativa de crescimento para toda a América Latina, que no conjunto deve crescer 1,3% em 2015 e 2,3% em 2016. Em outubro, a previsão de crescimento do PIB regional era de 2,2% para 2015 e 2,8% em 2016.

De acordo com o Fundo, as economias emergentes sofrerão o impacto de três fatores simultâneos: a desaceleração na China, as perspectivas desalentadoras para a Rússia e as revisões para baixo do crescimento nas exportações de matérias-primas.

Este último fator está ligado ao "impacto da queda nos preços do petróleo e de outras matérias-primas em termos de intercâmbio e de ingressos reais", que por sua vez "causarão um dano maior no crescimento a médio prazo", assinala o relatório.

Do ponto de vista dos mercados financeiros, as economias latino-americanas estarão expostas a "surpresas na trajetória da nacionalização da política monetária americana no contexto de uma expansão mundial sem equilíbrio".

Neste cenário, "as economias emergentes estão particularmente expostas, já que poderão sofrer uma reversão dos fluxos de capital", adverte o FMI.

O Fundo prevê ainda que a zona do Euro seguirá ameaçada pelo risco de deflação.