Alegando sumiço de objetos, governo fará novo inventário

iG Minas Gerais |

Uma resolução que deve ser editada nos próximos dias exigirá que os titulares de cada uma das secretarias do governo de Minas providenciem um novo inventário dos bens de propriedade do Estado. A ordem virá após os atuais gestores alegarem que houve sumiço de objetos no processo de troca de governo.

Fontes na Cidade Administrativa garantem que já foi identificado o extravio de dois aparelhos de televisão, dez tablets, pequenos objetos de arte e até um cinzeiro de cristal, pertencentes ao patrimônio público. Eles afirmam que o problema se deu até mesmo em áreas nobres da sede do governo, como o Palácio Tiradentes, onde despacha o governador.

A estratégia da atual gestão é comparar o inventário que será feito com outro, preparado entre 2013 e 2014, para identificar os eventuais extravios. A partir disso, um processo administrativo será instaurado para apurar responsabilidades e identificar o destino dos objetos.

Chama a atenção sobretudo o ocorrido com os televisores. “Não é fácil sair com aparelhos de televisão nos braços, normalmente, como se estivesse indo para casa. Sem a ajuda de alguém, usando a garagem ou algo assim, é difícil imaginar”, afirma uma fonte no governo.

As reclamações sobre o sumiço de objetos podem causar mais uma celeuma entre a administração atual e a antiga. Logo que assumiu, a gestão petista acusou os tucanos e aliados de deixarem os cofres vazios. A base do antigo governo reagiu, apontando número de contas nas quais estariam os recursos.

Ex-tucano mantido Mesmo com a troca de governo, foi reconduzido à Diretoria de Mineração e Novos Negócios da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) o ex-tucano Marcelo Arruda Nassif. Ele havia se filiado ao partido ligado ao antigo governo em 2009, junto com o aliado Oswaldo Borges da Costa, ex-presidente da estatal. O cargo ocupado por Nassif é estratégico. Por meio de sua área, a estatal controla a receita apurada por Minas com a extração de nióbio, um elemento químico escasso e fundamental para setores avançados, como aeroespacial e nuclear, e pujantes, como a indústria naval, automobilística e de construção civil. O Brasil concentra 98% das reservas do metal no planeta, e 75% delas estão no Estado.

FOTO: Manoel Marques/Imprensa MG Mario Vinícius Claussen Spinelli

Xerife. Assumiu nesta segunda o cargo de controlador Geral de Minas Gerais Mario Vinícius Claussen Spinelli. Na chegada, ele enfatizou que sua gestão será pautada pela manutenção da integridade do governo estadual. Spinelli ganhou notoriedade na Prefeitura de São Paulo, quando, sob sua gestão, foi desmantelada a máfia do Imposto Sobre Serviços (ISS). O grupo foi acusado de desviar quase R$ 1 bilhão dos cofres da prefeitura paulistana.

Ex-Copasa assume Além de ser reconduzido ao cargo, Marcelo Arruda Nassif ainda respondeu interinamente pela área de Finanças e Administração, até a titular da diretoria ser eleita nesta segunda. Paula Vasques Bittencourt é ex-diretora Financeira e de Relações com Investidores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e diretora Financeira da Copanor, braço da estatal para saneamento no Norte e Nordeste do Estado. Ela ocupava os cargos desde 2009. Ex-professora da PUC e analista do IBGE, Paula estava na Copasa desde 1989, tendo passado por diversos cargos, a começar pelo de assessora especial da Presidência. Antes de se tornar diretora na empresa, era chefe de gabinete do então presidente da companhia, Márcio Nunes, entre 2005 e 2009.

R$ 18,2 mil SERÃO GASTOS pela Câmara dos Deputados durante todo o ano de 2014 com diversos sabores de chá, de acordo com a ONG Contas Abertas

Gastando. No dia em que algumas regiões do país sofreram com a falta de luz, a ONG Contas Abertas destacou que a União teve gastos elevados com energia, já que é responsável pelo pagamento das contas de luz de todos os prédios do setor público federal. Ano passado, os dispêndios com energia somaram R$ 1,5 bilhão.

Cortes no Estado Diferente do que garantem os articuladores do governador Fernando Pimentel, não apenas indicados políticos estão sendo cortados no governo do Estado neste início de gestão. Nos últimos dias, perdeu a função um engenheiro florestal que era o único representante da Ruralminas num projeto de inventário florestal inédito no projeto Jaíba. O programa permitirá a utilização legal de centenas de áreas irrigáveis que estavam aguardando licenças ambientais. A demissão veio por telegrama e surpreendeu os integrantes do projeto. Solução para precatórios Depois de alguns adiamentos, acontecerá, no início do próximo mês, nos dias 11 e 12, o II Encontro Nacional dos Precatórios, que busca discutir o pagamento das dívidas do setor público que atormentam tantos credores, mesmo após o reconhecimento pela Justiça. O último levantamento, de junho do ano passado, apontava que União, Estados e municípios deviam R$ 97,3 bilhões em precatórios. O evento é organizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Tribunal de Justiça de São Paulo (CNJ). Participarão os Comitês Estaduais dos Precatórios.

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