Dilma indica veto para refinanciamento de dívidas dos clubes

Decisão, motivada por falta de contrapartidas dos times, deve sair no Diário Oficial da União desta terça-feira

iG Minas Gerais |

Novo chefe. Marco Polo Del Nero, presidente eleito da CBF, assume em abril, e é 100% a favor da MP
WILTON JúNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO -28.07.2014
Novo chefe. Marco Polo Del Nero, presidente eleito da CBF, assume em abril, e é 100% a favor da MP

Nesta terça-feira, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) vão saber se a presidente Dilma Rousseff aprovou ou barrou a Medida Provisória (MP) 656/2014, vista como a salvação da lavoura para os clubes de futebol endividados do Brasil. Nessa segunda-feira, ela sinalizou que vetará o artigo 141, que trata do tema.Brasília.

O posicionamento final do governo sobre o assunto deve ser conhecido oficialmente hoje, através de publicação no Diário Oficial da União (DOU). A dívida dos clubes é da ordem de R$ 4 bilhões.

A controversa MP passou pelo crivo da Câmara e do Senado Federal, no fim do ano passado, e trata da isenção de imposto a importação de equipamentos usados na agropecuária. Mas, numa manobra da chamada “bancada da bola”, o parcelamento das dívidas dos clubes foi embutido na MP em questão por meio de emenda do deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO).

Pelo texto aprovado, os clubes poderiam parcelar suas dívidas com a União em 240 vezes, com descontos de 70% em multas e 50% em juros, sem, no entanto, exigir nenhuma mudança no atual modelo de gestão administrativa e/ou financeira dos clubes, algo muito discutido anteriormente na chamada Lei de Responsabilidade Fiscal dos Clubes.

Virou a casaca. Até então, a CBF era a única a favor da aprovação da MP. No entanto, a entidade ganhou uma forte aliada de última hora, que virou a casaca. Antes contrária ao parcelamento da dívida dos clubes sem contrapartidas, a Fenapaf também passou a ser favorável a emenda proposta pelo deputado federal.

Na última semana, as duas entidades emitiram ofícios para Casa Civil, assinados por Marco Polo Del Nero, presidente eleito da CBF, e Rinaldo Martorelli, presidente da Fenapaf, solicitando a presidente Dilma a aprovação da nova MP.

A mudança de postura da Fenapaf causou indignação no Movimento Bom Senso FC, liderado por jogadores e ex-atletas, que é totalmente contra a proposta, sobretudo por eximir os clubes de mudanças em seus modelos de gestão.

“O que nos parece é que a CBF, nesses últimos dias que antecederam a decisão, entrou em contato com sindicatos para tentar conseguir apoio para aprovar a lei. Não entendo quais os argumentos e os motivos desta mudança de posição”, questionou ontem o diretor executivo do Bom Senso, Ricardo Borges, em entrevista ao site do canal ESPN Brasil.

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