Apagão mostra "vulnerabilidade do sistema", diz Pinguelli

Ex-presidente da Eletrobras no governo Lula e diretor da Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia da UFRJ (Coppe) afirma que é necessário uma campanha para uso de equipamentos e lâmpadas mais eficientes

iG Minas Gerais | Folhapress |

O ex-presidente da Eletrobras no governo Lula e diretor da Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia da UFRJ (Coppe), Luiz Pinguelli Rosa, disse que apagão da tarde desta segunda-feira (19) revela "a vulnerabilidade do sistema" num momento de alto consumo e baixo nível dos reservatórios da região Sudeste e Centro-Oeste especialmente.

Para o especialista, a falha na transmissão de energia do Norte para o Sudeste -ainda não detalhada em qual ponto nem por qual motivo- ocorreu porque sistema "está muito perto do seu limite" em razão do elevado consumo de energia neste verão de elevadas temperaturas.

Com o problema na transmissão e o consumo recorde, diz, foram desligadas várias usinas, num "efeito dominó, que não deveria acontecer." A ação "imediata" do governo, afirma, deveria ser lançar um "grande programa de conservação de energia", com desconto na conta de luz para quem economizar, como faz desde o ano passado o Estado de São Paulo no caso da água, ou penalidade, como ocorreu no racionamento de 2001. "Essa providência já tinha de ter sido tomada no começo do ano passado, mas não aconteceu por uma questão política."

Segundo Pinguelli, é necessária ainda uma campanha para uso de equipamentos e lâmpadas mais eficientes. "Por uma questão política o governo não quer chamar de racionamento, mas há a urgência de lançar programas de conservação de energia para atravessarmos o verão. É melhor racionar o uso agora do que enfrentar cortes maiores no futuro."

Com o baixo nível dos reservatórios e sem chuvas em quantidade suficiente, diz, o ano de 2015 "será pior do que o ano passado e com mais risco" de apagões, se nada for feito.

Para Nivalde de Castro, da UFRJ, o problema também ocorreu no sistema de transmissão, mas o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) "agiu rápido" e conseguiu evitar que o problema se espalhasse e derrubasse muitas usinas. A única de grande porte a cair foi a nuclear de Angra 1.

Segundo o especialista, o ONS conseguiu fazer "um corte seletivo, evitar a queda de mais usinas e restabelecer" o suprimento de energia "em menos de uma hora". Ele comparou com outros apagões com corte maior na carga de energia transmitida às distribuidoras e mais demorados para a energia voltar.

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