'A droga acabou com a minha vida', diz irmão de jovem morto no México

Emocionado, Fernando admitiu durante entrevista que tudo não passou de alucinação provocada pelo consumo de drogas

iG Minas Gerais | Folhapress |

Jovem catarinense teria caído do 12° andar de hotel
Reprodução/Facebook
Jovem catarinense teria caído do 12° andar de hotel

O empresário catarinense Fernando Luís da Silva, de 33 anos, afirmou no último domingo (18) em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, que o uso de drogas foi o responsável pela morte de seu irmão, o engenheiro Dealberto Jorge da Silva, de 36, durante viagem dos dois ao México. O corpo de Dealberto foi encontrado no último dia 10 na escadaria de um prédio de três andares, em Playa del Carmen, no sudeste do país.

Na entrevista, Fernando admitiu que usou drogas e álcool com o irmão em um festival de música eletrônica no balneário. Ele falou que usou alguma coisa que acreditava ser ectasy, mas que pode contar nos dedos quantas vezes usou este tipo de droga. "Nunca fui uma pessoa de estar envolvida com drogas", disse.

Emocionado, Fernando admitiu à repórter que tudo não passou de alucinação provocada pelo consumo de drogas. Fernando disse que ele e o irmão passaram a sentir que estavam sendo perseguidos e passaram a correr por horas pelas ruas de Playa del Carmen.

Segundo o empresário, eles entraram correndo em um condomínio, pularam cercas, grades e um monte de obstáculos que imaginavam que precisavam passar. Ele ficou cansado em certo ponto da fuga e disse para o irmão: "Não aguento mais, eu não consigo mais, eu não tenho mais força. Eu vou ficar aqui onde estou e vou rezar e pedir a Deus para que isso acabe e me tire daqui".

Dealberto subiu no prédio e instantes depois o empresário conta que ouviu muito barulho, sirene, polícia. " Aí pensei que poderia ter acontecido alguma coisa com ele", falou. Mas, assustado, em invés de ir ver o irmão, Fernando fugiu e ligou para família dois dias depois para pedir ajuda para voltar ao Brasil.

O empresário falou na entrevista acreditar que a queda do irmão do terceiro andar prédio foi com certeza acidental e provocada pelos efeitos do consumo de droga e álcool.

" A droga acabou com a minha vida, a droga tirou a pessoa que eu mais amava no mundo, que é o meu irmão. Sempre foi meu melhor amigo, meu parceiro, meu sócio. Tudo para mim. Eu tenho um pai e uma mãe que não mereciam estar passando por isso", disse Fernando emocionado.

Morte

A conclusão da polícia mexicana concluiu que Dealberto morreu por fratura crânio-encefálica após uma queda acidental, de acordo com a a Procuradoria-Geral de Justiça de Quintana Roo, Estado ao qual pertence Playa del Carmen e onde estavam os irmãos.

O procurador Gaspar Armando García Torres concluiu que "nunca existiu ameaça de sequestro e que tudo foi uma paranoia que sofreram devido ao consumo excessivo de droga e álcool", o que Fernando admitiu em depoimento.

Apesar de questionada pela reportagem, a Procuradoria não menciona no documento se a conclusão foi confirmada por exame toxicológico no corpo da vítima.

O comunicado afirma que os irmãos estavam instalados em um hotel de Playa del Carmen e que aceitaram hospedar uma mulher russa identificada como Ekaterina Vasileva a pedido de um amigo. Ela disse à polícia que, depois de romper com o namorado, um amigo brasileiro pediu aos irmãos catarinenses que a hospedassem.

Com base em relatos de testemunhas, a polícia concluiu que, na madrugada de sábado (10), véspera da morte, os irmãos saíram com Ekaterina e outro brasileiro e consumiram "álcool em excesso e vários tipos de drogas".

Fernando admitiu o fato às autoridades e contou que discutiu com Ekaterina depois disso "por razões sem sentido".

Quando empregados do hotel pediram calma, eles correram. À noite, no hotel, combinaram de se desfazer de seus celulares para evitar serem rastreados e de seus sapatos para não serem identificados. Como continuavam com a ideia de perseguição, se separaram para tentar se esconder.

Antes disso, Fernando enviou uma mensagem de celular a um familiar, dizendo temer um sequestro.

Fernando também disse à polícia que, do esconderijo, notou a movimentação de patrulhas e soube que uma pessoa havia morrido, supondo que se tratava de seu irmão.

A seguir, foi de táxi até Cancún, onde perambulou até seu dinheiro acabar. Depois, ligou para um amigo, que contatou uma pessoa para ajudá-lo. Ele admitiu, segundo a polícia mexicana, que "nunca houve sequestro nem perseguição, mas que tudo foi resultado do efeito das drogas".

Testemunha

Além do depoimento de Fernando, o boletim da Procuradoria-Geral cita relatos de um morador do prédio de onde caiu Dealberto.

Segundo Richar McCarthy, por volta de 23h45 de sábado ele estava em casa quando ouviu ruídos no topo do prédio e viu uma pessoa apoiada no corrimão da escada. Entrou em casa e, 20 minutos depois, foi avisado por um vizinho que havia alguém caído. Ao se aproximar, reconheceu o homem. O corpo de Dealberto foi cremado no México, segundo o Consulado-Geral do Brasil naquele país.