Papa Francisco deixa Manila após viagem triunfal à Ásia

Ponto alto desta viagem foi a missa final dominical no Rizal Park de Manila, que reuniu ao menos seis milhões de pessoas, segundo as autoridades

iG Minas Gerais | AFP |

Pope Francis greets the crowd after celebrating mass at a park in Manila on January 18, 2015. Pope Francis celebrated mass with millions of singing and cheering Catholics in the Philippine capital on January 18, in one of the world's biggest outpourings of papal devotion. AFP PHOTO / TED ALJIBE
AFP PHOTO / TED ALJIBE
Pope Francis greets the crowd after celebrating mass at a park in Manila on January 18, 2015. Pope Francis celebrated mass with millions of singing and cheering Catholics in the Philippine capital on January 18, in one of the world's biggest outpourings of papal devotion. AFP PHOTO / TED ALJIBE

O papa Francisco, que considera a Ásia uma terra de conquista para o catolicismo, deixou Manila na manhã desta segunda-feira (19) ao fim de um intenso giro pelo Sri Lanka e Filipinas onde, diante de um número recorde de fiéis, condenou o materialismo e a corrupção.

Aos 78 anos, o Papa argentino pareceu suportar bem o ritmo pesado de sua viagem, marcada por deslocamentos a províncias e pela presença de multidões.

Na manhã desta segunda-feira (19), dezenas de milhares de filipinos se aproximaram para aclamá-lo junto a uma estrada que conduz ao aeroporto. Os filipinos ainda compartilham um pouco da língua dos colonos espanhóis que evangelizaram o arquipélago a partir do século XVI.

O ponto alto desta viagem foi a missa final dominical no Rizal Park de Manila, que reuniu ao menos seis milhões de pessoas, segundo as autoridades, um número recorde para uma concentração de cristãos.

"As Filipinas são o principal país católico da Ásia. É um dom de Deus, uma bênção! Mas também uma vocação! Os filipinos estão convocados a ser missionários da fé na Ásia", continente no qual os católicos representam apenas 3% da população, disse.

Segundo as autoridades locais, o recorde anterior de uma concentração papal no mundo data de 1995, quando João Paulo II reuniu cinco milhões de pessoas também nas Filipinas, durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

"A fé das pessoas comuns é imensurável", exclamou Francisco, citado pelo arcebispo de Manila, cardeal Luis Antonio Tagle.

Ameaças insidiosas

O Papa entusiasmou os filipinos, 25% dos quais vivem com menos de 60 centavos de dólar diários, denunciando as desigualdades chocantes e a corrupção.

Também lançou vários apelos a favor da família tradicional, denunciando o relativismo, as ameaças insidiosas e a confusão sobre o casamento e a sexualidade em um país de 100 milhões de habitantes, dos quais mais de 80% são católicos fervorosos.

Uma crítica velada às medidas defendidas pelo presidente Benigno Aquino, que, em nome do controle da natalidade nas populações carentes, levou à adoção de uma lei que permite a distribuição de preservativos e o ensino de métodos de controle familiar nas escolas.

Centenas de milhares de mulheres abortam clandestinamente todos os anos nas Filipinas, e muitos homens e mulheres vivem juntos sem estar casados, enquanto o divórcio segue proibido.

"O Papa quis nesta viagem dar um impulso por uma via concreta em direção a uma sociedade filipina mais coerente com os valores cristãos", explicou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

No sábado, viajou a Tacloban (centro-leste) para se encontrar com sobreviventes do supertufão Haiyan (7.300 mortos e desaparecidos em novembro de 2013), muitos dos quais vivem completamente desamparados mais de um ano depois da tragédia natural.

"Quando vi a partir de Roma esta catástrofe, senti que precisava estar aqui e, em seguida, decidi fazer a viagem (...) Quis vir para estar com vocês. Um pouco tarde, me dirão, mas estou...", disse.

Francisco planejava permanecer ali todo o sábado, mas precisou voltar precipitadamente a Manila devido à chegada de uma tempestade tropical.

Não zombar da fé do próximo

Antes, no Sri Lanka, país de maioria budista no qual os católicos representam apenas 7%, Francisco lançou apelos à boa coabitação religiosa e à busca da verdade sobre os massacres registrados durante 30 anos no conflito entre o exército e a rebelião tamil.

No avião que o levava às Filipinas, participou do debate sobre a liberdade de expressão que explodiu após o atentado mortífero contra a revista francesa Charlie Hebdo, considerando que este direito fundamental não autoriza a insultar ou zombar da fé do próximo.

"Se um grande amigo fala mal da minha mãe, pode esperar um soco, é normal", disse. Estas declarações foram muito comentadas nas redes sociais.

Embora ainda não tenha pisado em solo africano desde sua eleição, em março de 2013, Francisco realizou sua segunda viagem à Ásia, depois de visitar a Coreia do Sul em agosto de 2014.

No Vaticano observa-se que o centro de gravidade do mundo se deslocou à Ásia, e é dada uma atenção particular à China, em plena abertura.

O Papa argentino expressou durante sua viagem à Coreia do Sul sua grande estima pela sabedoria chinesa, e declarou estar disposto a viajar ao país se as autoridades comunistas autorizarem o clero a desempenhar sua tarefa.