Petrobras reconhece prejuízo

Pela primeira vez, estatal responsabiliza ex-diretor investigado por projeto que teve valor elevado

iG Minas Gerais |

Aditamentos. Orçamento da Refinaria Abreu e Lima passou de US$ 2,4 bilhões, em 2005, para US$ 18,8 bilhões, no ano passado
Agência Petrobras
Aditamentos. Orçamento da Refinaria Abreu e Lima passou de US$ 2,4 bilhões, em 2005, para US$ 18,8 bilhões, no ano passado

Rio de janeiro. A Petrobras reconheceu pela primeira vez que a implantação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, teve projetos e contratações alterados a partir de um plano proposto pelo então diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa. O ex-diretor foi preso na operação Lava Jato, em março do último ano, e delatou um esquema de desvios de recursos da estatal.  

Em comunicado divulgado neste domingo à tarde, a estatal informou que o plano proposto por Costa e aprovado pela diretoria executiva “levou a grande número de aditamentos contratuais”, relacionando pela primeira vez o ex-diretor à escalada do orçamento da refinaria, que passou de US$ 2,4 bilhões, em 2005, para US$ 18,8 bilhões, no último ano.

Reportagem publicada neste domingo pelo jornal “Folha de S. Paulo” indicou que os relatórios finais da auditoria, concluída em novembro, identificaram que em 2012 a diretoria e o conselho de administração da estatal sabiam de uma projeção de prejuízos da ordem de US$ 3,2 bilhões com a implantação da refinaria.

Ainda de acordo com a reportagem, o conselho questionou a necessidade de realizar baixas contábeis diante das projeções, o que teria sido descartado pela área financeira.

No comunicado em resposta à reportagem, a Petrobras não negou o valor do prejuízo estimado à época ou que ele fosse de conhecimento dos seus executivos. Segundo a companhia, o orçamento inicial de US$ 2,4 bilhões se referia a “uma estimativa de custo preliminar” ligada a uma etapa de “avaliação de oportunidade”, realizada em 2005.

Dois anos depois, a companhia aprovou o Plano de Antecipação da Refinaria (PAR) para acelerar contratações e aquisições de “equipamentos críticos”, considerando “os longos prazos de fornecimento”. De acordo com a nota, a execução do plano causou “alterações nos projetos e na estratégia de contratação”, acarretando a aprovação de aditivos contratuais que elevaram os custos do projeto.

A estatal também apontou nominalmente o ex-diretor Paulo Roberto Costa pela elaboração do projeto que elevaria o prejuízo com a construção da Refinaria Abreu e Lima. “A Diretoria Executiva aprovou o Plano de Antecipação da Refinaria (PAR) proposto pelo então Diretor de Abastecimento, Sr. Paulo Roberto Costa. Com o PAR houve a antecipação de diversas atividades e alterações nos projetos e na estratégia de contratação, o que levou a grande número de aditamentos contratuais”, informa o comunicado.

Ainda assim, segundo a estatal, em 2009, a execução do projeto da refinaria foi aprovada com base em “relatório de viabilidade técnico-econômica”. De acordo com o comunicado, o relatório “considerou análises complementares relacionadas à vida econômica, desoneração tributária e perda de mercado evitada, as quais apontaram um Valor Presente Líquido (VLP) positivo”.

Desdobramentos

Extratos. A Odebrecht, maior empreiteira do Brasil, não teve nenhum de seus integrantes presos ou denunciados à Justiça até agora. Fontes próximas à investigação indicam que os extratos que devem ser apresentados na Suíça aos procuradores trazem indícios que ligariam o dinheiro das contas de Paulo Roberto Costa à Odebrecht. A suspeita é que as transferências passaram por uma rede de operadores. Os suíços obtiveram a documentação após a Justiça do país exigir que bancos quebrassem o sigilo bancário de Costa. A Odebrecht nega ter pago propina.

Previsão é de crédito mais escasso SÃO PAULO. Empresas de saneamento já esperam crédito mais escasso no Brasil em 2015, mas algumas delas terão de lidar também com a incerteza provocada pela operação Lava Jato. Analistas preveem que companhias como Odebrecht Ambiental e CAB Ambiental, que têm controladoras envolvidas na investigação, podem sentir dificuldades na obtenção de financiamentos. “Não acredito que o financiamento será zero com a investigação, mas o crédito provavelmente ficará mais caro”, diz um especialista sob anonimato.

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