Ministros e novos secretários ganham mais que Dilma

Em fevereiro entra em vigor o reajuste de 26% aprovado pelo Congresso

iG Minas Gerais |


Agora secretário, Miguel Corrêa disse que não há ilegalidade
ALEXANDRE GUZANSHE/O TEMPO
Agora secretário, Miguel Corrêa disse que não há ilegalidade

Brasília. Deputados e senadores licenciados vão se tornar “superministros” e “supersecretários” de Estado ganhando salários de R$ 33,7 mil, mais do que o de seus chefes imediatos – a presidente Dilma Rousseff (PT) e o de governadores.

Só na Esplanada dos Ministérios são seis os titulares de pastas que receberão por mês R$ 2.800 a mais que Dilma. Em Minas, dois farão jus ao triplo da remuneração de seus colegas. Os secretários do petista Fernando Pimentel, Odair Cunha (Governo) e Miguel Corrêa (Ciência, Tecnologia) receberão salário que representa mais do que o triplo pago aos demais secretários, cerca de R$ 10 mil.

Em São Paulo, três secretários terão um contracheque R$ 12 mil maior do que o do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

A regalia está prevista na Constituição. Congressistas que se licenciam para assumir cargos no Executivo podem optar por continuar recebendo o salário do Legislativo, apesar de as atribuições serem totalmente distintas. Reeleitos em 2014, 12 deputados se afastaram neste mês para assumir um ministério ou secretaria.

Entre os beneficiados estão os ministros Pepe Vargas (Relações Institucionais), George Hilton (Esporte) e Edinho Araújo (Portos). O impacto nos cofres da Câmara será de R$ 405 mil por mês.

Três senadores – Kátia Abreu (Agricultura), Eduardo Braga (Minas e Energia) e Armando Monteiro (Desenvolvimento e Comércio Exterior) – também se afastaram para assumir ministérios. Todos pediram para continuar recebendo o salário que será pago a deputados e senadores – R$ 33,7 mil a partir de fevereiro. O custo mensal para o Senado será de R$ 101,2 mil.

Em fevereiro entra em vigor o reajuste de 26% aprovado pelo Congresso. Dilma e ministros que não são parlamentares têm salário de R$ 30,9 mil.

Os congressistas que optaram pelo “supersalário” alegam que isso está previsto na Constituição. Os secretários Duarte Nogueira (SP), Roberto de Lucena (SP) e Miguel Corrêa (MG) afirmam não haver irregularidades. Os ministros George Hilton e os secretários Odair Cunha (MG) e Arnaldo Jardim (SP) não se manifestaram.

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