É de plástico, mas é dinheiro

Consumidores extrapolam gastos, não conseguem pagar fatura e caem em bola de neve

iG Minas Gerais | Angélica Diniz |

Altas taxas. 
Por mês, juros variam de 12,6% a 14,9% e, se o consumidor quitar só a parcela mínima da fatura, dívida cresce ainda mais
Alex Douglas / O Tempo
Altas taxas. Por mês, juros variam de 12,6% a 14,9% e, se o consumidor quitar só a parcela mínima da fatura, dívida cresce ainda mais

O cartão de crédito veio para facilitar a vida financeira, mas se tornou um pesadelo para grande parte da população brasileira. Seu mau uso levou 72,8% dos endividados e inadimplentes na capital a perderem noites de sono, no último mês. Isso porque, segundo pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas (Fecomércio), 72 a cada cem endividados têm o cartão como a principal dívida. Segundo a Fecomércio, em dezembro de 2014 foi registrado um aumento de 19,15% na inadimplência em relação a dezembro de 2013.  

A economista da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Ana Paula Bastos garante: a principal causa de endividamento é, sim, a falta de planejamento no uso do cartão. Os juros são os maiores do mercado e variam entre 12,6% e 14,9% ao mês. “É preciso se conscientizar que, no momento em que usam o cartão, as pessoas estão tirando dinheiro do bolso. Devem incluir a compra no orçamento do mês e pagar à vista”, orienta.

Não foi o que fez a assistente administrativa Alexandra Maria da Silva, 40, logo que fez um cartão, há 20 anos. Ela conta que se empolgou pela facilidade. “Foram tantos parcelamentos, pagando somente o valor mínimo que, no final, eu estava trabalhando só para pagar o cartão”, lembra.

O número de consumidores que usaram o crédito rotativo, ou seja, pagaram apenas a parcela mínima, também cresceu, segundo os últimos números disponíveis pela CDL, de 40,7% em 2012 para 42,3% em 2013.

Esse também foi o caso de um auxiliar de cozinha, que aceitou contar seu caso, sem ter o nome divulgado. Por não ter o valor integral da fatura de R$ 1.200, passou dois anos pagando o mínimo. Ao final desse período, a dívida já ultrapassava R$ 3.000. “Dividi a fatura em vários meses, imprimi as parcelas, colei no armário e cada uma que pagava, era um alívio”, lembra.

SUFOCO. Após cancelar um cartão, Yáskara Moreira, 24, teve o nome negativado, mas não por causa de descontrole. A jovem, que fazia faculdade e era beneficiária do Financiamento Estudantil (Fies), quase teve o programa de financiamento estudantil cancelado. Ela desistiu do cartão, pediu cancelamento, mas o serviço não foi efetivado. Quando descobriu, já devia R$ 1.000 em taxas. “É preciso ficar atento. Entrei na Justiça, mas arquei com o prejuízo.”

Apesar de controlada nos gastos, a dona de casa Lélia Ferreira, 64, passou sufoco. Há cinco anos, ela costumava parcelar as compras do mercado, mas se deparou com um imprevisto. “Deixei de receber um dinheiro e tive de pagar parcela mínima. Quitar essa dívida foi difícil, por causa dos altos juros. Agora, só à vista”, garantiu.

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