Eles escolheram o islamismo por preceitos como paz e respeito

O TEMPO visitou a única mesquita da capital, no bairro Mangabeiras, para conhecer a comunidade muçulmana

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Entenda. Na mesquita, homens e mulheres ficam em ambientes distintos, mas ambos em direção à Meca
LEO FONTES / O TEMPO
Entenda. Na mesquita, homens e mulheres ficam em ambientes distintos, mas ambos em direção à Meca

Junto com os sapatos, toda a agitação e a correria do dia a dia ficam de fora: dentro da mesquita, somente silêncio, respeito e adoração. Lado a lado, de joelhos em direção à Meca (cidade sagrada na Arábia Saudita), o grupo de muçulmanos faz em árabe orações a Allah. Estranha para muitos brasileiros, a cena se repete semanalmente no bairro Mangabeiras, na região Centro-Sul da capital, bem perto da praça do Papa. É lá que fica a única mesquita da cidade e onde se reúne, todas as sextas-feiras, a comunidade islâmica de Belo Horizonte.  

“Foi como um chamado”, conta a funcionária pública Lêda de Oliveira Awad, 52, que se converteu ao islamismo há oito meses. Natural de Montes Claros, no Norte de Minas, ela, que era evangélica, conheceu a religião por meio do marido egípcio, com quem vive na capital. “Interessei, estudei e me converti por vontade própria. O respeito dispensado a Deus, e a maneira como os muçulmanos se preparam e como falam (com Deus), eu nunca vi antes em nenhuma religião”.

Formada por não mais que 200 pessoas, a comunidade islâmica de Belo Horizonte é composta por libaneses, turcos, paquistaneses, líbios, sírios, marroquinos e brasileiros, que representam quase um terço desse grupo. Sem nenhuma origem árabe, eles se identificaram com os preceitos do islã e decidiram abraçar com convicção o código de vida e os mandamentos de Allah.

Apesar da rigidez de algumas normas, ligadas principalmente a restrições de vestimentas, comidas e bebidas e a obrigações, como as cinco pausas diárias para orações, os brasileiros muçulmanos garantem que as regras não os atrapalham de levar uma vida como outra qualquer no Ocidente. “Tenho uma vida normal. Trabalho no Tribunal Regional do Trabalho e faço musculação todos os dias. Gosto de cuidar de mim e adoro meu corpo. Mas isso não significa que preciso mostrá-lo para as outras pessoas”, diz Lêda, que passou a usar, sempre que sai de casa, um véu cobrindo os cabelos, blusas de mangas compridas e calças ou saias longas.

Ela conta que, apesar da resistência de alguns familiares e amigos, teve um processo tranquilo de adaptação aos novos costumes. “Quando você sabe que é chamado, tudo fica mais fácil”.

O Islã ganhou visibilidade nas últimas semanas após os atentados em Paris, praticados “em nome da fé” por terroristas que teriam “vingado” o profeta Muhammad. No entanto, ao contrário da vingança, a religião tem a paz e o respeito como valores preciosos. Morando há um ano em Belo Horizonte, o empresário gaúcho Luís Eduardo Chaves de Carvalho, 40, foi outro que se converteu. Ele conta que escolheu o islamismo há mais de dez anos, após visitar templos e cultos de várias religiões. “Eu estava procurando e encontrei no Islã a proposta do Deus único, que não precisa de intermediários. Era a resposta que eu precisava”.

No país Brasil. A Federação das Associações Muçulmanas do Brasil estima que haja 1,4 milhão de muçulmanos no país. As maiores comunidades estão em São Paulo e Foz do Iguaçu (PR).

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