Sobre quadrilhas e pobres, verdade e democracia

iG Minas Gerais |

A agenda ética assumiu, no Brasil dos nossos dias, uma centralidade impressionante pela sucessão de denúncias e desvios. Quando pensávamos termos atingido o limite com o julgamento do chamado “mensalão”, estoura o maior escândalo da nossa história, envolvendo a Petrobras. Honestidade não é qualidade, é obrigação, diziam nossos pais. Mas a sociedade passa a ter a percepção de que a atividade política é contaminada obrigatória e geneticamente pela corrupção. Por isso, as pessoas de bem estão se afastando da vida pública. A democracia é construção humana, portanto imperfeita. É um processo contínuo de aprendizado, aprimoramento das regras e das instituições e consolidação de uma cultura republicana e democrática, arraigada e enraizada na sociedade e nas pessoas. Chamou a atenção de todos o arroubo verborrágico, em sua despedida, do ex-ministro Gilberto Carvalho. Em ambiente e momento inadequados, bradou aos quatro ventos: “Não somos ladrões” e “tenho orgulho de fazer parte da quadrilha dos pobres”. Ora, a maioria absoluta do povo brasileiro é simples e pobre, e é também honesta e trabalhadora. Não vamos confundir as coisas. Os pobres do Brasil nada têm a ver com os malfeitos de maus líderes. Como gosta de dizer um amigo meu: “Inclua os pobres fora dessa”. E quem tem que dizer quem é ladrão ou não é o Judiciário brasileiro. Mas tem o outro lado da moeda. A democracia pressupõe o amplo direito de defesa a qualquer cidadão, que é inocente até que se prove o contrário. Na sociedade contemporânea e de informações instantâneas online, é preciso ter extremo cuidado para não cometermos linchamentos morais injustos, precipitados e superficiais, aniquilando a imagem de pessoas públicas honradas e honestas, que vivem da sua imagem e credibilidade. Recentemente, tivemos um caso absurdo, inverossímil, repugnante e de indignar. A imprensa e o sistema judiciário (Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário) têm que ancorar suas denúncias em fatos, provas e evidências. A simples palavra de um bandido não pode se tornar o critério da verdade. Refiro-me à falsa e covarde acusação feita por um policial federal, “funcionário” do doleiro corruptor Youssef, em relação a um dos mais honrados e respeitados líderes do Brasil, Antonio Anastasia. O ex-governador e senador eleito é uma reserva moral de Minas. Honesto, inteligente, trabalhador, de vida simples e austera, de rara competência, Anastasia construiu um sólido patrimônio político, administrativo e ético. Revelo aqui minha indignação contra tamanha e absurda aleivosia. É urgente aprendermos a separar o joio do trigo. Não transigir com iniciativas que tentam, sabe Deus a serviço de quem e com que intenções, associar pessoas de bem com o lodaçal de corrupção que ameaça afogar o país. Se me dessem apenas dois dedos para apontar o político mais honesto do Brasil, podem estar certos, um seria Antonio Anastasia.

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