Reality shows em queda na TV

Baixa audiência e pouca repercussão mostram um desgaste do gênero na televisão brasileira e em outros países

iG Minas Gerais |

Exceção. “Masterchef”, da Bandeirantes, foi um dos reality shows bem-sucedidos do ano passado
Isabel Almeida/czn
Exceção. “Masterchef”, da Bandeirantes, foi um dos reality shows bem-sucedidos do ano passado

São Paulo. A televisão oferece hoje um cardápio de reality shows mais variado do que nunca. Só na categoria romance, no ano passado estrearam um programa nudista de namoro e um em que garotas disputavam a preferência de um sósia do príncipe Harry. A audiência e a relevância do gênero, porém, vai de mal a pior.

Mesmo formatos consagrados como o musical “American Idol”, que em 2004 teve um só episódio visto por 28,8 milhões só nos Estados Unidos, têm decepcionado. Em sua última temporada, chegou à marca de 10,5 milhões. E mais: é um programa pouco comentado por críticos e espectadores.

Sem novos sucessos desde “The Voice”, de 2011, a TV norte-americana busca se reinventar. Canais como Bravo e E!, dedicados aos reality shows, começaram a produzir suas primeiras séries de ficção.

Por aqui, o “Big Brother Brasil”, que revelou nomes como Grazi Massafera e Sabrina Sato, não gera há quase uma década o burburinho do início. Um teste: tente nomear pelo menos um dos últimos três vencedores.

A audiência tampouco anima: a última edição do “BBB” teve o pior desempenho da história, com média de 21,7 pontos em São Paulo. Em 2005, no auge, marcou 47,5.

Na Record, a situação é semelhante. Seu principal reality show, “A Fazenda”, registrou em dezembro seu pior desempenho em finais. O último capítulo da sétima edição fez 10 pontos, contra 21 da final do programa de estreia, em 2009.

Segundo Paulo Franco, superintendente artístico e de programação da Record, no entanto, o reality show ainda é considerado um sucesso pelo canal. “A avaliação é a melhor possível, por isso a edição deste ano está garantida. O brasileiro adora um reality show. Não é uma opinião minha, as pesquisas que fazemos apontam isso”, afirma.

O destaque positivo entre os reality shows no Brasil foi a competição culinária “Masterchef”, que estreou no ano passado na Bandeirantes e registrou média de 5 pontos de audiência, bom índice para o canal.

Diferente do “Big Brother Brasil” e de “A Fazenda”, o “Masterchef” não é só um reality show, como destaca Diego Guebel, diretor geral de conteúdo da Band: há também um elemento de talento, mais importante que corpos sarados e barracos.

Guebel conta que a emissora tem a intenção de estrear mais misturas de reality show e “talent”. “Existem ‘talents’ na televisão desde o começo dela. Esse tipo de programa não vai deixar de existir”.

Como o “Masterchef”, os melhores do formato na TV brasileira hoje são os que acrescentam a demonstração de habilidades à fórmula, como as disputas musicais “Superstar” e “The Voice Brasil”, ambos exibidos na Globo.

Embora a audiência deste também tenha caído – a final, em dezembro, marcou 22 pontos em São Paulo, cinco a menos que a edição anterior –, o programa continua gerando bastante discussão, ainda que, em grande parte, pelo figurino de Claudia Leitte.

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