Cinzas de brasileiro executado na Indonésia serão levadas para o RJ

O instrutor Marco Moreira foi o primeiro brasileiro morto por crime no exterior; ele foi preso em 2003 quando tentou entrar no país com 13,4 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta

iG Minas Gerais | Agência Brasil |

Indonesian police guard Brazilian Marco Archer Cardoso Moreira (C) with a machine gun during a press conference in Jakarta, 20 August 2003.  Marco, 42, a Brazilian national athlete, was arrested by police on August 16, after Jakarta International Airport custom suspected him for smuggling 13,4 kg cocaine from Brazil.  Meanwhile police are still looking for another Brazilian drug smuggler which arrived at the same time and brought 10kg of cocaine.  AFP PHOTO/Bay ISMOYO
AFP
Indonesian police guard Brazilian Marco Archer Cardoso Moreira (C) with a machine gun during a press conference in Jakarta, 20 August 2003. Marco, 42, a Brazilian national athlete, was arrested by police on August 16, after Jakarta International Airport custom suspected him for smuggling 13,4 kg cocaine from Brazil. Meanwhile police are still looking for another Brazilian drug smuggler which arrived at the same time and brought 10kg of cocaine. AFP PHOTO/Bay ISMOYO

O corpo do brasileiro Marco Archer, executado ontem (17) na Indonésia, será cremado no país e as cinzas serão levadas para o Rio de Janeiro pela advogada Maria de Lurdes Archer Pinto, tia de Marco. Única parente ainda viva do brasileiro condenado à morte por tráfico de drogas, Maria de Lurdes está na Indonésia e esteve com Marco Archer antes da execução. As informações são do jornalista Nelson Veiga, amigo de Archer.

 

Após o fuzilamento do brasileiro, a presidenta Dilma Rousseff se disse “consternada” e “indignada” e convocou para consultas o embaixador do Brasil em Jacarta. No meio diplomático, a medida representa uma espécie de agravo ao país no qual está o embaixador. Já o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a execução causa "uma sombra" na relação entre o Brasil e a Indonésia.

Em nota, a organização não governamental Anistia Internacional considerou um “retrocesso “ a execução de Marco Archer e de mais cinco traficantes de drogas pela Indonésia. Eles são os primeiros presos executados desde que o presidente Joko Widodo assumiu o cargo. “Este é um retrocesso grave e um dia muito triste. A nova administração tomou posse prometendo fazer dos direitos humanos uma prioridade, mas a execução de seis pessoas vai na contramão desse compromisso”, disse o diretor de Pesquisa sobre a Região do Sudeste Asiático e Pacífico da Anistia Internacional, Rupert Abbott.

O carioca Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi o primeiro brasileiro executado por crime no exterior. Archer trabalhava como instrutor de voo livre e foi preso em agosto de 2003, quando tentou entrar na Indonésia, pelo aeroporto de Jacarta, com 13,4 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta desmontada em sete bagagens. Ele conseguiu fugir do aeroporto, mas foi localizado após duas semanas, na Ilha de Sumbawa. Archer confessou o crime e disse que recebeu US$ 10 mil para transportar a cocaína de Lima, no Peru, até Jacarta. No ano seguinte, ele foi condenado à morte.

Ele cobrou medidas duras do governo brasileiro em relação à Indonésia e fez elogios ao amigo. “Ele tinha um coração enorme, era uma pessoa maravilhosa que queria retornar para o Brasil e falar para as crianças que o caminho das drogas só leva a duas coisas: à morte ou à prisão. [Ele era] um cara com um carisma tão grande que os guardas da prisão emprestavam o celular para ele falar com a gente.”