Desagregação energética

iG Minas Gerais |

Se o ano de 2014 foi de estiagem, escassez d’água e de energia, podemos esperar que em 2015 as dificuldades serão ainda piores. Racionamento e desorientação dos setores produtivos, gerando-se falências em cadeia e desemprego. Ruas e praças cheias de revoltosos inconformados e famélicos. As medidas ensaiadas por Joaquim Levy são encomendas de banqueiros, passam longe do cerne da sustentabilidade e do desenvolvimento. A ortodoxia vesga das medidas propostas penaliza a sustentabilidade dos setores primários e estruturantes, aqueles que pagam impostos. Aumento de tributos, de tarifas reguladas, arrocho de financiamentos. Cortar na pele da administração pública está proibido, os altos escalões se decretaram aumento salarial de 50%, e os gastos fixos nesse patamar secarão ainda mais a capacidade de investimento. Vida boa está garantida apenas para parlamentares com salário de R$ 34 mil, em cascata todo o serviço público virá atrás. Levy, que vem do Bradesco, vai fazer contrariar todos os interesses, menos os dos banqueiros, um setor sanguessuga, longe de ser o puxador do desenvolvimento. Em algumas regiões de Minas a chuva de janeiro é zero, não se lembram os mais idosos de um caso tão desesperador. As lavouras estão se perdendo, e a vegetação do campo já está seca como no inverno. Safra zero para alguns produtos em regiões tradicionais. Escassez e aumento do preço da comida. O índice de saturação dos reservatórios está em apenas 22%, no ano passado nessa época era de 44%, rios secando, reservatórios vazios. Mesmo que fevereiro e março registrassem boas precipitações, das quais não se tem notícia, a realidade continuará arrasadora para o abastecimento e para a geração de energia. Racionamento, que é necessário e já passou da hora, está descartado para não contrariar a soberba presidencial. Cair atirando é a previsão de Dilma. A situação é crítica desde 2012 e vem gradativamente se esgarçando. Dilma parece o faraó do livro do Êxodo, aquele que mereceu sete castigos divinos pela sua teimosia até se emendar e tomar a medida prometida. O alicerce do setor elétrico foi rachado, na contramão da história, da lógica e da regra universal, em plena campanha das eleições municipais de 2012, anunciando uma diminuição de 26% das tarifas. Um tiro no pé, uma bomba no setor que originou outras medidas em cadeia para tapar da vista do eleitor o desastre e a conta dele. Em 2015 deverá se recuperar o que se perdeu escondendo a verdade e adiando medidas. Agora a conta se abaterá sobre o consumidor com 36% imediatos de reajuste e outros muitos que pipocarão em breve, pois o custo para as geradoras aumentou muito mais, e, de R$ 135 por MWh em 2012, as indústrias encontram-se a contratar por R$ 450, mas com baixíssima oferta. Para se ter preços baixos, só tem a hipótese de a energia ficar abundante. Dilma fez o contrário: inibiu por decreto a possibilidade de investimento das geradoras, quebrou seus contratados, as quebrou, e ainda o desconto de 26% durou apenas três meses em 2013, seguindo-se aumentos que nunca se viram antes na história deste país. Ainda se embaralhou, tirou referências no setor, afugentando os investimentos e condenando o país a ser carente de energias por muitos anos ainda. Quer dizer, tarifas altas. Sempre na contramão, a CCEE rebaixou o PLD máximo (valor de liquidação da excedência de energia) de R$ 822 por MWh para R$ 388. Quer dizer, inviabilizou a produção independente e eventual, que custa cerca de R$ 680 por MWh, como é o caso da termoelétrica a petróleo de Igarapé-MG operada pela Cemig. Em Pernambuco a termoelétrica de Suape (20% da Petrobras), com capacidade de 389 MWh, uma das maiores do país, sofreu uma quebra na última semana, paralisando 16 dos seus 17 termogeradores. Estouram por ter puxado a corda, sem descanso e manutenção adequada, chegando à fatiga inusual dos materiais. Isso vem acontecendo de forma generalizada, e já 40% da capacidade nominal de geração está parada por sucateamento, e sem valores definidos que compensem o conserto com a remuneração de R$ 388 por MWh. O despreparo de quem conduz as medidas de enfrentamento da crise a agrava. Parece que querem arrasar o setor? Seria uma teoria da conspiração para estatizar os falidos? O caos está aí e parece que veio para ficar

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