“Atentado impõe desafios cruciais à democracia”

Frederico Duboc Editor de primeira página Mestre em Relações Internacionais pela

iG Minas Gerais |

Os atentados na França indicam transformações no modo de ação do terrorismo que impõem desafios cruciais à democracia. Como no atentado na Maratona de Boston em 2013, altos níveis de letalidade e repercussão foram alcançados com o uso de armamentos acessíveis até por criminosos comuns.  

O número de envolvidos é significativamente pequeno. Na França, foram três. No fim de 2014, em Sidney, havia apenas um atirador. Já os sequestros aéreos no 11 de Setembro mobilizaram 19 pessoas.

Em terceiro lugar, como no massacre na Noruega em 2011, os terroristas não eram estrangeiros, mas cidadãos locais com motivações transnacionais (fundamentalismo islâmico ou, no outro caso, neoconservadorismo).

Esse modelo mais enxuto, de logística mais simples e interno às fronteiras nacionais, tende a chamar menos atenção das forças de segurança e a demandar ainda mais esforço dos serviços de inteligência. Uma questão política que se impõe é como reagiria a população à adoção de legislações domésticas mais restritivas e a propostas de monitoramento de e-mails, invasão de contas de internet e escutas telefônicas não só de estrangeiros ou de “imigrantes suspeitos”, mas de cidadãos nacionais, em nome da guerra contra o terror.

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