“É impossível fazer qualquer projeção de prevenção”

Jari Tiihonen Psiquiatra e professor do Departamento de Neurociência Clínica Instituto Karolinska (Suécia)

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Stefan Zimmerman
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Teria alguma maneira de “curar” as pessoas que possuem esses genes?

Esses dois genes têm maior efeito no comportamento agressivo, e mais de 20% da população mundial é portadora, mas provavelmente há centenas de outros genes com efeitos menores e que contribuem para a agressividade. Além disso, a sensibilidade dos resultados é muito baixa para qualquer projeção de prevenção.

Um criminoso poderia ser condenado ou absolvido considerando-se esses fatores?

De acordo com os princípios básicos da psiquiatria forense, quaisquer fatores de risco – como o genótipo ou lesão cerebral em um acidente de carro – não devem ter qualquer efeito sobre as condenações ou penas de prisão. Acredita-se que a capacidade mental para entender a natureza e as consequências de suas ações e de controlar seu comportamento são o que mais importam.

Pessoas que transportam os genes poderiam ser impedidas de ter filhos, parando, assim, a propagação das mutações?

Uma maneira de evitar agressores reincidentes seria uma sentença de combinação: o infrator poderia ter sua pena reduzida se aceitasse tomar um medicamento que ajuda a parar de ingerir bebida alcoólica (dissulfiram), de duas a três vezes por semana. Estudos anteriores dizem que o excesso de dopamina pode promover um comportamento agressivo quando misturado com drogas ou álcool.

Você pretende dar continuidade ou ampliar esse estudo?

Sim. Estamos planejando replicar a pesquisa em outro grupo de indivíduos.

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