Leveza sustentável na atuação

Atriz revela que sua atual personagem necessita de uma entrega, mesmo com o tom simplista de Maria Inês

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Retorno. Christiane Torloni volta a trabalhar em um folhetim com temática espírita 20 anos após atuar em “A Viagem”
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Retorno. Christiane Torloni volta a trabalhar em um folhetim com temática espírita 20 anos após atuar em “A Viagem”

Elegante e segura de si, Christiane Torloni conduz sua carreira pelo caminho da leveza. Cheia de mulheres poderosas e peruas tresloucadas no currículo, a atriz encontra na doce Maria Inês, de “Alto Astral”, um ponto de diversificação. “A complexidade da minha personagem reside na simplicidade. E depois de tantos anos fazendo papéis carregados de referências, ser menos é um exercício. É preciso ter entrega”, analisa. Aos quase imperceptíveis 58 anos, Torloni segue firme e forte. Seja defendendo a preservação da Amazônia, produzindo seus próprios espetáculos teatrais, fazendo apenas o que quer na TV ou investindo na carreira de diretora. “Acho que ainda tenho muitas coisas a fazer. Não só como atriz, mas como realizadora. Esse sentimento me faz querer estar sempre em movimento”, ressalta. Sua carreira é recheada de peruas e mulheres problemáticas. A Maria Inês, de “Alto Astral”, é mais centrada. Depois de tantos tipos fortes, é bom trabalhar em um papel mais calmo? Acho que é um exercício. Quando você faz bem um tipo de papel é provável que você será chamada para reviver personagens semelhantes durante boa parte da carreira. É preciso ter coragem para mudar. E, em alguns casos, pedir para que essa alteração aconteça. Mulheres excêntricas e peruas sempre foram uma constante na minha carreira. Eu tive de cavar outros caminhos para não me repetir. Alguns autores já até sabem dessa minha vontade de fazer coisas diferentes e me chamam. Mas não é sempre que isso acontece. E, às vezes, no meio do processo, a personagem vem e te conquista. A Maria Inês, por exemplo, é um tipo delicioso. Por quê? Justamente por ela ser básica. Existe uma complexidade em soar menos, em falar mais baixo, em conter o gestual. Ainda mais sendo o trabalho que sucede “Fina Estampa” dentro da minha carreira. É muito mais fácil para a atriz vestir uma armadura e ir fazer uma cena. Os adereços ou composições de cada tipo facilitam bastante na busca pela personagem. No entanto, pode ser um caminho perigoso. Em que sentido? Como chegar ao coração do público se você, de repente, soar fake em cena? A Tereza Cristina foi muito complexa nesse sentido. Era uma personagem maravilhosa e acima do tom, bem ao gosto das vilãs do Aguinaldo (Silva). A responsabilidade de manter o nível no alto era enorme. Agora, em “Alto Astral”, o tom é mais branco. Quando o diretor pede algo mais naturalista, é preciso ter muita autocrítica para reconhecer os pontos de exagero. Em qual dos tipos você se sente mais à vontade? Sou uma atriz de teatro. Sendo assim, gosto muito do processo de compor uma personagem. Pensar em tudo, cabelo, figurino, gestual. Mas adoro me sentir instigada e sair da minha área de conforto. A Maria Inês é maravilhosa nesse sentido. Não me sinto apoiada por qualquer artifício. Estou ligada apenas à minha intuição e ao texto. Em “Alto Astral”, você volta a atuar em uma trama de tom espiritualista exatos 20 anos depois do sucesso de “A Viagem”. A temática da novela foi importante na hora de acertar sua participação? É um tema que me encanta muito. Somos um povo muito espiritualista. A origem brasileira, com suas porções de africanos, europeus e indígenas, tende a se aproximar de vários mitos, são povos de muita espiritualidade. As novelas que tratam dessa questão sempre me despertam interesse. “Alto Astral” é um cristal de tão delicada. Muito antes de “A Viagem”, eu já me interessava pelo assunto. A imersão para aquele trabalho só me fez admirar ainda mais. “A Viagem”, inclusive, faz sucesso atualmente ao ser reprisada pelo canal pago Viva. Você tem acompanhado algumas cenas? Tenho trabalhado muito. Então, estou gravando essa reprise, pois não tinha a versão completa em casa. É muito bom rever essa novela.

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