Maresia criativa na televisão

Histórias ligadas ao mar, ao sol e ao clima de verão inspiram diversos autores na concepção de algumas novelas

iG Minas Gerais | geraldo bessa tv press |

Afonso Carlos/Czn
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O sol, o mar e os amores típicos de verão já serviram de inspiração para muitos autores de novela. Alguns deles, inclusive, de tanto se apropriarem da estação mais quente do ano, a transformam em personagem obrigatório na ambientação e fluidez de suas tramas. Além de deixar as cenas muito mais bonitas, o apelo praiano ajuda na identificação com o público ao abordar assuntos de forma leve e contemporânea. Assim foi na pioneira “Verão Vermelho”, exibida pela Globo em 1969. Escrita por Dias Gomes, a novela se valia das belezas das praias da Bahia para falar de disputas territoriais e políticas. Quase 50 anos depois, em “Babilônia”, próxima novela das nove, a praia do Leme e o morro da Babilônia, na zona Sul do Rio de Janeiro, servirão de cenários para abordar contrastes e mazelas sociais, temas comuns da obra de Gilberto Braga, que assina a autoria da novela com Ricardo Linhares e João Ximenes Braga. “O ambiente da praia nos ajuda a criar de forma mais solar, além de já entregar para a trama muitos personagens e situações. A escolha do bairro do Leme é estratégica. Lá, temos pessoas de várias classes convivendo na mesma praia. O local cria essa unidade”, conta Gilberto.

Embora não seja reconhecido como um autor essencialmente praiano, Gilberto sempre flertou com o clima de verão em suas obras. Muito por tentar retratar os dilemas e costumes do Rio de Janeiro em tramas como “Dancin’ Days”, “Vale Tudo”, “Paraíso Tropical” e, sobretudo, “Água Viva”, de 1980, onde trabalhou em parceria com Manoel Carlos. O êxito do clima solar do clássico oitentista se mostra fonte de inspiração das novelas de Manoel Carlos até hoje. Espécie de cronista da praia e do bairro do Leblon, suas tramas se tornaram quase propaganda da região, onde Helena e outros personagens de produções como “História de Amor” e “Laços de Família” vivem os amores e dissabores do verão carioca. “Minhas novelas têm um clima mais calmo e diferente. Isso combina muito com o mar. Os diretores que trabalham comigo sabem dessa importância e da relação dos personagens com esse ambiente”, conceitua Manoel Carlos.

Depois de retomar seu setor de teledramaturgia, em 2004, a Record também investiu pesado em tramas com fortes referências do litoral. O destaque fica com “Prova de Amor”, escrita por Tiago Santiago em 2005. A história bem-amarrada, o elenco pescado na Globo e o tom comercial da trama – com forte apelo ecológico e ambientada nos cartões postais da cidade e na pacata praia de Grumari – chamaram a atenção do público para os folhetins da emissora. “A novela tinha elementos para conquistar a audiência e todos funcionaram. O que mais gosto nela é que, além da história, é uma trama bonita de se ver. Isso faz muita diferença”, acredita Tiago. Em 2007, na tentativa de repetir o mesmo sucesso, “Luz do Sol”, de Ana Maria Moretzsohn, passeou por cidades praianas como Angra dos Reis e Saquarema e fez da Barra da Tijuca o cenário perfeito para o desfile de personagens ligados ao clima do bairro.

Nem só da realidade solar do Rio de Janeiro vivem as tramas de verão. Do time que levam os diretores para a areia e reduzem o tamanho do figurino dos atores, se destacam os nomes de Antonio Calmon e Walther Negrão. Juntos, os dois escreveram, em 1989, “Top Model”, sucesso no horário das seis. E a partir deste êxito, ambos continuaram a se utilizar do apelo praiano com propriedade, tirando suas tramas da obviedade carioca e apostando em viagens para cidades fictícias e para o Nordeste brasileiro.

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