Bloco Baianas Ozadas toma conta das ruas de BH neste sábado

O tema do bloco deste ano é “Sou da Cor da Bahia”, uma homenagem aos blocos afro de Salvador, em especial ao Ilê Aiyê, que completa 40 anos em 2015

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Se depender da animação do bloco Baianas Ozadas, o Carnaval deste ano já está pronto para tomar as ruas de Belo Horizonte. Ontem o grupo fez seu segundo ensaio aberto ao público e lotou o Largo da Saideira, no bairro União, região Nordeste da capital. Entre o fim da manhã e o meio da tarde deste sábado(17), quem passava pela avenida Cristiano Machado, próxima ao local, podia ouvir de longe os compassos marcados pela potente percussão do grupo.

Bem no clima descontraído e irreverente que arrasta milhares de pessoas pelas ruas do Centro-Sul da cidade, mas ainda sem os adereços de turbantes e saias brancas que caracterizam os foliões, o ensaio dá um gostinho do que vem por aí na folia de Momo. Como o próprio nome do bloco adianta, a Bahia e seu “axé de raiz” é que darão o tom da festa – o bloco sai na segunda-feira de Carnaval e vai desfilar da praça da Liberdade até a praça da Estação.

O tema deste ano é “Sou da Cor da Bahia”, uma homenagem aos blocos afro de Salvador, em especial ao Ilê Aiyê, que completa 40 anos em 2015. No som de ontem, entraram clássicos como “Tieta”, “Requebra” e “Avisa Lá” - ao todo, o grupo está ensaiando 60 músicas para o desfile.

Capitaneados pelo músico Peu Cardoso, o regente da trupe, os instrumentistas ajustavam os detalhes do batuque. A previsão dele é que o grupo saia com pelo menos 220 integrantes tocando, número que pode aumentar, já que o grupo é aberto a qualquer interessado. A maioria ali não é músico de formação, mas se vira com os instrumentos com as instruções dadas via mímica pelo maestro.

É o caso da fotógrafa Bianca Aun, que toca repique há quatro anos no Baianas Ozadas e também em outros grupos, como Então Brilha! e Queixinho. “Assim como eu, tem uma galera que toca em tudo que aparece. É muita animação”, diz ela, que vem ensaiando desde setembro em workshops fechados ao público.

Como Peu explica, os blocos de Carnaval da cidade vêm se fortalecendo a cada ano, desde 2009, quando a retomada da rua pelos foliões começou. “O nosso Carnaval é um misto de diversão e política. Só o fato de estamos na rua, ocuparmos esse espaço, já é um ato político, embora seja apartidário. Não temos expectativas grandiosas, não trabalhamos com números. Só estamos preocupados em levar uma energia boa para que todo mundo se divirta muito”, diz ele.

Apesar do calor, a temperatura não arrefeceu os ânimos. Ignorando o fato de estarem sob o sol a pino do meio-dia, cerca de 70 moças do grupo Requebra, que acompanha o bloco no desfile, ensaiavam suas coreografias sob a batuta da bailarina Renata Black.

Com passos de dança afro, as mulheres acompanhavam a animação da bateria. Segundo a fundadora do grupo, a baiana Ivone Gomes, o Requebra vai para as ruas este ano com mais de 100 integrantes. “Vai ser a coisa mais linda que essa cidade já viu”, promete ela. 

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