Hora de recompor a casa

iG Minas Gerais |

Passado o tsunami sociológico que mostra, mais uma vez, que a raça-humana vai mesmo desaparecer da face da Terra, o esporte passa, ou tem que passar, pelo menos para quem trabalha com ele, a ser o centro das atenções, em particular o vai-e-vem do mercado da bola, principalmente para os dois gigantes de Minas Gerais. Cruzeiro e Atlético entram mais fracos nas competições de 2015 do que saíram das de 2014, até porque, como já escrevi, é muito difícil que os dois, concomitantemente, mantenham o pique do ano passado, pois perderam, ao longo desta semana, peças-chave em seus esquemas, tanto táticos quanto técnicos, e até emocionais. Ricardo Goulart e Diego Tardelli vão fazer muita falta para suas equipes, mas o Cruzeiro vai sentir mais a ausência do muito bom e polivalente Goulart, que é bem mais novo do que Tardelli, mais forte fisicamente, e com toda a carreira pela frente. Contudo, Tardelli, que é um dos maiores ídolos do Galo, era referência no time, mas mais inconstante do que o meia-atacante do Cruzeiro. Tardelli caiu nas graças da Massa antes mesmo de sua volta ao Atlético. Por marcar muitos gols no Cruzeiro, sendo três em um único jogo, o atacante virou ídolo muito rápido, supervalorizado à época. Mas, em sua segunda passagem pelo clube, mesmo ainda inconstante, foi decisivo em momentos cruciais na era de ouro do Galo, com três títulos que jamais “sairão” de todas as gerações futuras de atleticanos, sem falar na atual, que teve o privilégio dificilmente igualável de ter assistido ao que ocorreu nos últimos anos com o gigante que não despertava nunca. Ambos tinham que sair, mesmo sob o risco de sumir na China e da memória do técnico da seleção brasileira, na qual, Tardelli, hoje, é titular absoluto. Imagine ter um salário mensal girando em torno de R$ 1 milhão? Porém, as peças de reposição contratadas são interessantes. Lucas Pratto é muito bom jogador, assim como Riascos, que traz com ele uma particularidade sensacional: coisas que só acontecem no futebol. O fato dele ter perdido o pênalti na segunda partida das quartas de final da Libertadores de 2013, defendido por Victor, e que se tornou o lance mais emblemático da história do maior rival do Cruzeiro, o traz uma responsabilidade ainda maior, mesmo que ele ainda não saiba ou não tenha sentido isso. Muita atleticanos, pelas redes sociais, até se mobilizaram para receber o novo reforço do Cruzeiro no aeroporto. Iniciativa, aliás, que pode ter feito a Raposa criar o esquema que adotou para driblar a imprensa na chegada do atacante colombiano, ontem. Seria muito legal, e ao mesmo tempo constrangedor, ser recebido por atleticanos em Confins, sem falar no risco de confronto entre as torcidas. A saída de Réver também merece comentário. O cara que levantou a taça da Libertadores sempre será lembrado e querido pela Massa, mas tudo na vida passa. Jemerson está pedindo passagem, e não é no Galo não, onde já é titular absoluto. Se tiver a cabeça no lugar, o que parece ter, e não sofrer contusões graves, tem potencial, e muito, para ser titular da seleção. O garoto joga muito e é calmo, característica essencial para um zagueiro. Nilton, Dedé (machucado) e até Egídio, também farão falta ao Cruzeiro. Agora, tem uma coisa: os dois times seguem sob o comando dos mesmos técnicos, que têm total capacidade para encaixar quem chegou aos seus esquemas mais do vencedores. Merecido. Cristiano Ronaldo é mesmo o melhor jogador do mundo, como a Fifa corroborou nesta semana ao concedê-lo o Bola de Ouro 2014. Se continuar nessa toada, o genial português pode igualar e até passar a marca do não menos genial Messi, que já tem quatro prêmios, contra três do madeirense. Com os dois nas pontas dos cascos, o que não ocorreu na temporada passada, o melhor é uma questão de gosto, ou de números.

Ponto de vista. Afirmar qual dos dois é melhor é muito difícil, mas adoto uma premissa que me ajuda muito nesse caso e encerra o meu pensamento em relação a esse dilema filosófico entre dois dos cinco, dez, 15 maiores jogadores de todos os tempos. Se eu tivesse que escolher um deles para jogar no meu time, optaria pelo argentino, mais do que eficiente. Porém, para ver jogar, prefiro o português, o do Real, é claro. 

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