O futuro chega pedalando

O TEMPO inicia série de reportagens para estimular o uso das bicicletas no meio urbano

iG Minas Gerais | Bernardo Miranda |

Pioneiro. Vinícius Silva monta bicicletas personalizadas para os clientes que querem pedalar no dia a dia, levando em conta o porte físico e o tipo de percurso
LINCON ZARBIETTI
Pioneiro. Vinícius Silva monta bicicletas personalizadas para os clientes que querem pedalar no dia a dia, levando em conta o porte físico e o tipo de percurso

Para manter o equilíbrio de uma bicicleta é preciso estar em movimento. A inércia não é bem-vinda no ciclismo. Esse conceito também se aplica às grandes cidades, que precisam ser dinâmicas em busca de um crescimento sustentável. O TEMPO acredita que o futuro de Belo Horizonte se cruza com um protagonismo maior das bicicletas nas ruas, e, por isso, começa neste sábado uma campanha para o uso da magrela, não só como lazer, mas como meio de transporte diário. A série de reportagens será publicada aos sábados. E, para que a mudança de hábito seja efetivada, um dos primeiros passos é escolher o modelo que combina com o seu trajeto e tipo físico. Assim, os morros da capital não serão empecilho. No mercado há vários tipos de bicicletas, mas nada melhor que usar um equipamento exclusivo. Em Belo Horizonte, a reportagem encontrou o pioneiro na montagem de bikes sob medida: o empresário Vinícius Túlio da Silva, 33, um entusiasta do ciclismo que fez da paixão seu trabalho. Ele é um dos donos do Atelier Bicicine. Lá, cada bike é pensada para atender a necessidade do futuro proprietário. E nessa conta entra o tamanho do ciclista, a distância que será percorrida, o relevo que será enfrentado no trajeto, entre outros detalhes. Um modelo básico pode sair por R$ 600. “Ter morros não é empecilho para começar a usar a bicicleta no dia a dia. Para todo trajeto é possível encontrar uma bike adequada, basta saber usar as peças certas”, explica Silva. Segundo ele, sete marchas são suficientes para superar as ladeiras da capital, mas a regulagem será diferente, dependendo do trajeto. O empresário ressalta que é preciso diferenciar uma bicicleta urbana de uma mountain bike, que é o modelo comercial mais comum, mas não o ideal para o transporte em cidades. Para o asfalto, os pneus têm que ser lisos, e os amortecedores não são essenciais. Outro pensamento que o novo ciclista deve ter é que a bicicleta de uso diário vai precisar de manutenção constante, e quanto melhor a qualidade das peças, menos vai gastar na revisão. Com peças melhores, o conforto na bicicleta também será maior. Por exemplo, se você mede 1,90 m e vai usar uma bicicleta feita para alguém com 1,70 m, o conforto será prejudicado. Se optar por mais velocidade, as peças mudam, e o conforto será menor. Quanto mais grosso o pneu, maior será o conforto, porém, menos veloz. Quanto tempo. Na mudança de hábito pesa também o tempo que será gasto no percurso. Em um trajeto de 8 km, o tempo de pedalada vai variar entre 20 e 45 minutos. Porém, não basta contar os minutos, mas todos os benefícios da opção. “A pessoa tem que estar ciente de que é uma mudança de paradigma. O caminho que é o melhor para o automóvel não é o melhor para a bicicleta. E não necessariamente você vai fazer o trajeto mais rápido, mas, com certeza, será muito mais prazeroso. Você vai vivenciar a cidade no caminho”, afirma Silva. Não pode faltar. Antes de sair pedalando pela cidade é preciso estar atento aos itens que são obrigatórios pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A bicicleta tem que contar com um retrovisor, adesivos refletivos na frente, atrás e nas laterais e buzina. O uso do capacete não é obrigatórios, mas recomendado. Outra informação importante é que lugar de bike é na rua, na faixa da direita. Calçada é do pedestre.

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