Diva amazônica

Mostra de Tiradentes chega aos 18 anos com mais de 120 estreias

iG Minas Gerais | Giselle Ferreira |

Lançamento: “Órfãos do Eldorado”, com Daniel de Oliveira e Dira Paes inaugura a mostra de Tiradentes, que homenageia a atriz
Octavio Cardoso/Divulgação
Lançamento: “Órfãos do Eldorado”, com Daniel de Oliveira e Dira Paes inaugura a mostra de Tiradentes, que homenageia a atriz

Amazônico. É assim que Dira Paes, 45, pretende que seja o ano de 2015. “Se for tudo bem na Amazônia, vai ser bom pro mundo todo. Oxigênio, verde, água doce, peixe e comida. Além dos cheiros, da literatura, do teatro, da fotografia, das joias, desse Brasil que o Brasil ainda não conhece”, diz a atriz paraense, filha da Amazônia, que estrela ao lado de Daniel de Oliveira o primeiro longa de ficção de Guilherme Coelho, “Órfãos do Eldorado”.

  Adaptado da obra homônima do autor amazonense Milton Hatoum, o filme é ambientado na região que inspirou Dira e sua estreia marca a abertura da 18ª Mostra de Tiradentes, que tem início na próxima sexta-feira (23).   Na edição em que o evento alcança a maioridade, 128 inéditos filmes brasileiros (37 longas e 91 curtas) compõem a grade da programação, que tem Dira como a homenageada.   Raquel Hallak, uma das idealizadoras da mostra que ocupa Tiradentes até o próximo dia 31, explica: “se revisitarmos os filmes dos anos 90 pra cá, essa é a história da Dira. Ela, que sempre esteve com três, quatro filmes aqui em Tiradentes, tem uma trajetória rica e admirável. Já são 30 anos de carreira e, mesmo com espaço na TV, ela nunca parou de se entregar ao cinema independente, nunca deixou de fazer filmes autorais. A afinidade dela com a mostra justifica essa homenagem”.    Mais conhecida do público por papéis em “A Diarista” (Solineuza), “Caminho das Índias” (Norminha) e “Amores Roubados” (Celeste), é na telona que a carreira de Dira é mais profícua: desde 1984, já são 37 participações em filmes. “A Floresta das Esmeraldas” (1984), do diretor norte-americano John Boorman, abriu as porteiras para a menina de 15 anos de Abaetetuba (PA) que nunca sonhou com o sucesso. Ele veio cedo, porém, já que aos 18 ela ganharia o prêmio de melhor atriz coadjuvante no I Festival de Natal – o primeiro dos 13 que coleciona –, com o emblemático “Ele, o Boto”, de Walter Lima Jr.   “‘A Floresta’ foi uma experiência, uma aventura. Quando ganhei o personagem foi que senti a responsabilidade e a transformação na minha vida. Quando terminamos de gravar já sabia que era isso que queria fazer. Meu desejo pelo cinema surgiu da oportunidade, porque eu sempre fui desencanada com o sucesso”, conta Dira, confessando seu fascínio pela telona e respondendo, sem querer, à questão que a Mostra de Tiradentes propõe nessa 18ª edição (“Qual o lugar do cinema hoje?”). “Mesmo nessa nossa era imagética, de tantos estímulos efêmeros, o cinema continua exercendo encanto. Essa folga de 2h que se tira da vida cotidiana pra vivenciar outra realidade proposta pelo filme é algo fascinante”, declara.   Retomada   Dois dos filmes que renderam as melhores críticas à atuação de Dira serão exibidos na Mostra Homenagem: “Corisco e Dadá” (1996), de Rosemberg Cariry, e “Amarelo Manga” (2002), de Cláudio Assis – produções que marcam a fase de retomada do cinema brasileiro após o fim da Embrafilme, em 1990.    “Com ‘Dadá e Corisco’ vivi a experiência sertaneja mais profunda da minha alma. ‘Amarelo’ é outro maravilhoso, muito real. São filmes que não vão envelhecer, que vão sempre estar aí pra contar a nossa história. Quando os filmes voltaram a ser feitos, em 94, eu fui procurada por uma diversidade muito grande de diretores e projetos. E dei sorte que eles deram certo, e me chamaram para os próximos. Foi assim que filmei tanta coisa tão diversa entre 1995 e 2005, quando desacelerei por conta da TV. Sempre quis experimentar e manter os diálogos, reverter os olhares do público para outros lugares. O meu sonho é que a minha filmografia possa ser antropológica, que ela possa ser um retrato do cinema brasileiro, no futuro. São 30 anos, mas me sinto jovem, disposta. Me sinto muito privilegiada e quero que isso seja retornado ao público com emoção e diversão.   Quero fazer com que o público queira ir ao cinema”, afirma Dira, aproveitando para agradecer o “presente”. “Começar 2015 com Tiradentes, uma das principais mostras do Brasil, que discute as nossas obras tão a fundo, é uma dádiva. Me sinto parte dessa discussão e só tenho a agradecer a quem me fez convites e deu oportunidades”.   18 Anos   Mantendo a tradição da formação crítica de suas plateias, o 18º Seminário do Cinema Brasileiro promoverá 27 debates sobre o momento atual da produção audiovisual do país. Dira também será assunto de uma das mesas de discussão, que contará com a presença do pernambucano Cláudio Assis e do cearense Rosemberg Cariry, além da própria atriz.    E se o papel do cinema está em pauta, o lugar que Tiradentes ocupa já é sabido. “A Mostra representa vários marcos: desde 1998 ela vem cumprindo com coerência sua proposta de formação, reflexão artística, transformação social e construção de cidadania. Lado a lado com a economia, a gente também possibilitou a descoberta da cidade para o turismo e foi responsável por toda uma geração de cineastas que hoje temos o orgulho de exibir”, comenta Raquel, sobre filmes como “Ela Volta na Quinta”, do mineiro André Novais Oliveira, sessão que encerra a mostra.   18ª Mostra de Tiradentes De 23 a 31 de janeiro.  Confira programação completa em mostratiradentes.com.br

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