‘Cultura do país diz que mulher não tolera dor’

Trindade também observa que situações estruturais levaram ao aumento das cesarianas ao longo dos anos

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Não há razão médica que justifique tamanho medo das mulheres em relação ao parto normal, mas, segundo o presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Etelvino Trindade, experiências ao longo da história explicam a preocupação.  

“No mundo antigo, muitas mulheres morreram no parto natural, e o consenso coletivo acredita que vai doer, incomodar. Também temos no Brasil a cultura de que a mulher não é tolerante à dor. Na verdade, elas pensam que vai durar três horas, mas, muitas vezes, os partos se delongam e passam de dez horas, o que vai criando uma situação de insegurança”, diz.

Trindade também observa que situações estruturais levaram ao aumento das cesarianas ao longo dos anos. “Estamos com menos de 5.000 leitos de maternidade no país de seis anos pra cá. Isso gera uma preocupação nas mulheres quando pensam que podem entrar em trabalho de parto e não encontrar um leito vago”, diz. 

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