Brasileiras optam por cesárea por medo de sentir dor no parto

Pesquisa mostra que até 82,7% das mulheres escolhem fazer intervenção para evitar sofrimento

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Sem medo. 
Com nove meses de gravidez, Kelly Dias, 29, vai encarar um segundo parto natural
Reprodução / Facebook
Sem medo. Com nove meses de gravidez, Kelly Dias, 29, vai encarar um segundo parto natural

Já entrando no nono mês de gravidez, a dentista Kelly Flávia Dias, 29, deseja que a chegada da filha seja feita por meio do parto normal. Mas nem sempre foi assim. “Antes eu tinha medo da dor, não sabia como era”, conta. Esse receio do sofrimento é uma das principais aflições das mulheres durante o processo de decisão pelo tipo de parto, segundo o estudo feito pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A pesquisa Nascer no Brasil ouviu 23,94 mil mulheres em 266 maternidades do país e descobriu que, no início da gravidez, 28% preferiram a cesariana e 66% desejavam o parto normal. No entanto, o que se vê no sistema de saúde atualmente é que a taxa de cesarianas no Brasil está em 56%, chegando a 92,3% nas instituições de saúde suplementar e 41,7% na rede pública. Segundo o estudo, enquanto as mães que optavam pelo parto normal levavam em consideração a melhor recuperação (72,8% em hospitais públicos e 76,8% em instituições privadas), as que gostariam de passar pela cesárea disseram que tinham medo da dor (82,7% na rede pública e 69% em hospitais privados). Após passar por uma primeira gravidez (o bebê morreu no útero), Kelly diz ter percebido que a recuperação do parto normal é muito mais rápida, e isso ajudou na sua decisão com o segundo bebê. “A questão da dor não me faria escolher a cesariana, apenas se fosse necessário intervir devido a um maior risco para mim ou para o bebê”, afirma. No caso da funcionária pública Leandra Duarte, 37, histórias de familiares e amigas que resultaram em experiências anteriores negativas com o parto cesáreo orientaram a sua preferência – e de 11,8% das mulheres na rede pública e de 8,9% em hospitais privados. Por isso, grávida de sete meses, ela acredita que tem que pensar primeiro no filho. “Sei de casos de cesariana em que o bebê ficou com sequelas por ter engolido a placenta e tenho medo de que isso aconteça comigo também”, revela. Informação. Há três anos, a administradora de redes e doula Pollyana do Amaral, 36, coordena um grupo, em Belo Horizonte, que realiza encontros para orientar e esclarecer dúvidas sobre vários aspectos da gravidez. Entre as mais 300 grávidas que passaram pelo grupo, Pollyana diz que a dor é o principal receio delas. “Já aconteceu de algumas mulheres chegarem a dizer que, antes de pensar em ter filho, achavam que iriam querer a cesárea, mas depois acabaram optando pelo parto normal”,afirma. O próximo encontro do Ishtar: Espaço para Gestantes acontece hoje, às 9h30, nas Unidades Municipais de Educação Infantil (Umeis) da UFMG. A entrada é gratuita. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave