Procuradoria acusa Cerveró de ocultar da Justiça passaporte espanhol

O Ministério Público Federal apresentou a informação como um adendo à prisão preventiva de Cerveró, com o intuito de reforçar a sua necessidade

iG Minas Gerais | Folhapress |

PR - OPERAÇÃO LAVA JATO/PRISÃO/CERVERÓ - POLÍTICA - Agentes da Polícia Federal conduzem o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró.   Acusado de envolvimento na Operação Lava Jato, ele foi detido ao desembarcar no Aeroporto   Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro, de um voo proveniente de Londres, e levado para a   carceragem da PF em Curitiba, onde estão presos os outros investigados na Operação Lava Jato.     14/01/2015 - Foto: JONATHAN CAMPOS/AGÊNCIA DE NOTÍCIAS GAZETA DO POVO/ESTADÃO CONTEÚDO ta15011
ESTADÃO CONTEÚDO
PR - OPERAÇÃO LAVA JATO/PRISÃO/CERVERÓ - POLÍTICA - Agentes da Polícia Federal conduzem o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Acusado de envolvimento na Operação Lava Jato, ele foi detido ao desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro, de um voo proveniente de Londres, e levado para a carceragem da PF em Curitiba, onde estão presos os outros investigados na Operação Lava Jato. 14/01/2015 - Foto: JONATHAN CAMPOS/AGÊNCIA DE NOTÍCIAS GAZETA DO POVO/ESTADÃO CONTEÚDO ta15011

 O Ministério Público Federal acusa o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró de ter omitido da Justiça o fato de possuir um passaporte espanhol, em ofício anexado nesta sexta (16) ao inquérito que resultou na prisão preventiva dele, na última quarta (14).

O passaporte facilitaria a fuga do país, já que é difícil conseguir que países estrangeiros extraditem para o Brasil cidadãos que tenham a nacionalidade desses países.

A defesa de Cerveró, porém, rebate dizendo que ele ainda não havia sido informado pela Justiça de que estava sendo processado ou investigado e que, na quinta (15), já havia informado possuir cidadania espanhola, ao entrar com habeas corpus pedindo a soltura do ex-diretor.

O Ministério Público Federal apresentou a informação como um adendo à prisão preventiva de Cerveró, com o intuito de reforçar a sua necessidade. Segundo os procuradores, o passaporte foi emitido pelo consulado da Espanha no Rio de Janeiro em junho de 2012 e tem validade até junho de 2022.

"Cumpre informar que em momento algum o investigado informou a dupla cidadania espanhola, ou seja, omitiu tais informações da Justiça certamente para se beneficiar de tal situação. A ocultação dolosa do passaporte é um indicativo, portanto, de que Nestor planeja utilizar sua cidadania espanhola como meio para escapar de qualquer punição", diz a peça, assinada pelos procuradores Carlos Fernando dos Santos Lima e Orlando Martello.

A Procuradoria até cita o caso do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolatto, que conseguiu fugir do Brasil mesmo após sua condenação no mensalão por ter um passaporte italiano, afirmando que "nem mesmo a apreensão completa de passaportes serviu para garantir que se sujeitaria à Justiça brasileira".

OUTRO LADO

Quando foi preso, Cerveró estava voltando de uma viagem à Inglaterra.

Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que "a sua viagem internacional teve o intuito de visitar parentes da sua esposa na Inglaterra e que para tanto utilizou o seu passaporte brasileiro, tendo comunicado a viagem à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal".

Sua defesa afirma que, se ele tivesse a intenção de fugir, não teria voltado do exterior em alguma das viagens que fez.

"Ele só foi citado pela Justiça anteontem para responder à ação. Como estava viajando, marcamos com a oficial de Justiça para que fosse à casa dele hoje [16] citá-lo. Se ele quisesse fugir, não teríamos marcado horário para isso", afirmou o advogado Edson Ribeiro.

O advogado também afirma que Cerveró já havia enviado ofícios ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal informando estar à disposição para ser ouvido e nunca foi chamado.

Cerveró só foi ouvido nesta semana, após ser preso. A defesa anexou ao habeas corpus ofícios de março do ano passado encaminhados ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello, e ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

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