Imprensa cubana pede que Obama continue flexibilizando restrições

O novo marco normativo reduz os requisitos para viajar para Cuba, e os turistas americanos poderão usar a partir de agora seus cartões de débito e crédito na ilha

iG Minas Gerais | AFP |

MISHA JAPARIDZE/ASSOCIATED PRESS
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A imprensa cubana admitiu que a flexibilização das restrições à ilha que o departamento do Tesouro colocou em vigor nesta sexta-feira são positivas e pediu que o presidente Barack Obama continue aplicando medidas neste sentido.

"As medidas anunciadas constituem um passo na direção certa, mas ainda resta um longo caminho a percorrer para desmontar muitos outros aspectos do bloqueio econômico, comercial e financeiro", afirmam, em uma nota, os jornais Granma e Juventud Rebelde, de circulação nacional.

Na primeira reação às medidas anunciadas, a nota assinala que ainda resta suspender o embargo vigente contra a ilha "mediante o uso de prerrogativas executivas do presidente, e para que o congresso dos Estados Unidos ponha fim a esta política de vez".

Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira novas regulamentações que entrarão em vigor nesta sexta e que facilitarão as viagens e o comércio com Cuba, às vésperas das negociações bilaterais para normalizar as relações diplomáticas.

"O anúncio nos coloca a mais um passo da substituição de políticas obsoletas que não funcionavam para estabelecer uma política que ajude a promover as liberdades econômicas e políticas para o povo cubano", disse o secretário do Tesouro, Jacob Lew.

O novo marco normativo reduz os requisitos para viajar para Cuba, e os turistas americanos poderão usar a partir de agora seus cartões de débito e crédito na ilha.

Os viajantes poderão sair de Cuba com até 400 dólares em produtos pessoais, incluindo não mais de 100 dólares em rum e tabaco.

Por outro lado, a quantia das remessas que os cubanos recebem de seus familiares nos Estados Unidos passará de 500 para 2.000 dólares por trimestre, e os bancos americanos podem criar contas em instituições cubanas.

As mudanças implicam uma revisão geral das normas de Regulamentações sobre Bens Cubanos e Regulamentações de Exportações (EAR, em inglês), segundo os Departamentos de Tesouro e de Comércio.

As novas regulações permitirão igualmente estabelecer serviços de telecomunicações dentro de Cuba, assim como a importação de celulares, televisores e computadores.

Estados Unidos e Cuba surpreenderam o mundo em 17 de dezembro ao anunciar que deixariam para trás meio século de enfrentamentos para iniciar negociações para a normalização plena das relações diplomáticas.

O acordo foi selado definitivamente com uma histórica conversa telefônica de quase uma hora entre o presidente americano Barack Obama e o líder cubano Raúl Castro.

O anúncio de quinta ocorre antes da primeira rodada de negociações entre Washington e Havana para restabelecer as relações diplomáticas, após meio séculos de conflitos originados na Guerra Fria.

A revisão das regulamentações são apenas um passo da aproximação bilateral, pois um embargo americano vigente desde a década dos sessenta só pode ser levantado pelo Congresso, que conta atualmente com maioria republicana.

Em outro gesto de reconciliação, Cuba liberou recentemente 53 detidos que Washington considerava presos políticos.

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