Bate debate 16/1/2015

iG Minas Gerais |

Banalização Ricardo Barros Lima Teólogo e Filósofo

É fato que a política vive uma crise de legitimidade. Quando falo de política, não estou falando necessariamente da democracia enquanto sistema político. Estou falando de ação, do modo como a democracia se configura na ação dos políticos. Não quero discutir o sistema e a representatividade. Quero pensar nas ações dos políticos. A política virou sinônimo de: mensalão, mensalão mineiro, Lava Jato, Confins, Petrobras, ditadura midiática mineira (esses são os mais recentes) e outros muitos, que vocês podem nomear.

Parafraseando Hannah Arendt, vivemos a “banalização do mal na política!” Talvez você ache absurda essa comparação! Mas, se pensarmos nas vítimas da irresponsabilidade dos políticos na saúde pública e nas vítimas da irresponsabilidade dos políticos no atrasado na vida de nossos alunos da educação pública? Talvez você concorde comigo! Tenho procurado entender a eleição para presidente apertada e definida aos 45min dos segundo tempo, o surto da direita conservadora, pedindo intervenção militar e impeachment da presidente eleita democraticamente e de forma legal. A pergunta que eu venho problematizando é: por que as pessoas estão pedindo intervenção militar e impeachment da presidente, mesmo diante de tudo que o pais viveu na ditadura militar e comprovadamente pela Comissão da Verdade? Parece absurdo!

Entretanto, penso que é resultado da banalização do mal as ações dos políticos! Parece que essas pessoas entraram em estado de desespero e concluíram que somente uma intervenção militar, resolveria o problema da corrupção. A banalização do mal provoca um tipo de indignação revoltante e retrógrada, infelizmente! Penso que essas pessoas não estão erradas, estão, sim, manifestando a “indignação revoltante e retrógrada”.

Seria justo esse tipo de manifestação, diante da banalização da corrupção no país? Seria justo esse tipo de manifestação, diante da banalização dos milhões e bilhões que foram roubados do povo, (tanto “do sujo e do mal-lavado”) por meio da Petrobras? Seria justo esse tipo de manifestação, diante da banalização do dinheiro público roubado e sendo colocados nas cuecas, meias, malas e mostrados nos meios de comunicação? Seria justo esse tipo de manifestação, diante da banalização do sucateamento da saúde pública, dos doentes, pacientes, profissionais e médicos precarizados? Seria justo esse tipo de manifestação, diante da banalização do sucateamento da educação pública, em que a maioria é pobre e dependem desse serviço para sobreviver e entrar no mercado de trabalho?

A banalização do mal dos políticos provoca sentimentos revoltantes e retrógrados, mas o que fazer quando a corrupção se tornou cultura e foi normatizada entre nós? A banalização do mal dos políticos, precisa de uma intervenção do povo nas urnas! A banalização do mal dos políticos, precisa de um povo que pare de reclamar e passe a cobrar desses banalizadores! A banalização do mal dos políticos, precisa de um povo atuante e politicamente consciente dos seus direitos e deveres! A banalização do mal dos políticos, precisa de um povo que volte para ruas, avenidas, vielas, becos e manifeste sua indignação de forma pacifica e respeitosa!

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