Ainda há lugar para a esperança e a autoestima entre os brasileiros

iG Minas Gerais |

DUKE
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A inauguração do segundo mandato da presidente Dilma e os discursos de alguns ministros permitiram a muitos cidadãos voltar a ter esperança contra a onda de pessimismo induzido durante a campanha eleitoral. Refiro-me aos discursos da presidente, do ministro Patrus Ananias, do ex-secretário da Presidência Gilberto Carvalho e de seu sucessor, o ministro Miguel Rossetto. Aí apareceram os ideais originários da revolução política que o PT trouxe à história brasileira. Digam o que quiserem, o fato é que o sujeito do poder político e do Estado já não é mais a tradicional classe dominante, aqueles que detinham os meios do poder, do ter, do saber e do comunicar. Por mais que inventassem estratégias de manutenção de seus status, usando meios os mais torpes, como a edição da revista “Veja” na véspera das eleições, não conseguiram convencer os eleitores. Eles intuíram que o projeto político hegemonizado pelo PT lhes era mais adequado para o seu bem-estar e para continuar a invenção de outro tipo de Brasil. Agora, com a colaboração de aliados de outras classes sociais, se formou um novo poder, de cunho popular e republicano, que permitiu conquistar democraticamente a direção do Estado. Já me antecipo aos críticos que falam do mensalão e da corrupção na Petrobras. Importa reconhecer seus crimes, investigá-los e exigir sua condenação, como continuamente o dizem a presidente e os melhores líderes do PT. Mas não será esse ínfimo número de corruptos que poderá anular o projeto transformador de mais de 1 milhão de filiados do PT. Nunca há somente sombras. Sempre há também luzes. Elas coexistem dialeticamente. Mas enfatizar apenas as sombras é cair no moralismo imobilizador, como se só com a moral se pudessem resolver todos os problemas de um país. Há uma indignação farisaica porque se basta a si mesma, e, quando apresenta uma alternativa, esta é pior do que aquela que criticam. O que ouvimos daquelas autoridades referidas foi a luz que precisava novamente ser testemunhada. Duvido, sinceramente, que alguém possa apontar qualquer deslize de conduta da presidente e dos ministros Ananias, Rossetto e Carvalho. A presidente revela um entranhado amor aos pobres e invisíveis, e é de uma retidão ética inatacável. Bastam estas palavras de sua fala para mostrar a linha social que traçou: “Nenhum direito a menos, nenhum passo atrás”. Ao ouvir os ministros Carvalho, Rossetto e Ananias, parecia-me escutar os sonhos originários que deram origem a essa verdadeira revolução de cunho popular que ocorreu há 12 anos. Dizia de mim para mim mesmo: aqui está o que propúnhamos desde os anos 60 do século passado aos sem-terra, aos sem-teto, aos afrodescendentes, aos indígenas e às mulheres. Aí está a verdadeira prática de libertação, para muitos derivada da fé no Cristo libertador e que deu origem à Teologia da Libertação. Se a oposição diz que foi derrotada por uma quadrilha de ladrões, devemos resgatar o sentido de “quadrilha”: somos, como dizia o ex-ministro Gilberto Carvalho, da quadrilha do bem, dos que se colocam do lado dos pobres porque somos zelosos servidores públicos. Não obstante os percalços, as palavras dele confirmam que o rumo não fora perdido. Os mesmos sonhos que nos levaram a trabalhar e a aprender com o povo aí é reafirmado. Somos por uma democracia social sem fim, representativa e participativa, cujo centro é a vida de todos e da Mãe Terra sofrida e ferida. A presidente e esses ministros nos suscitaram a esperança de que ainda é possível dar forma política a esse sonho e nos trouxeram a alegria de que eles nos dão o exemplo e vão à frente, animando os desalentados.

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