Indicações abrem crise nas bancadas do PMDB

A insatisfação também está no nível estadual. O deputado Pastor Vanderlei Miranda reconheceu que há um desgaste

iG Minas Gerais |

Membros das bancadas do PMDB na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais demonstram insatisfação com as indicações a cargos no governo de Minas e atribuem a culpa ao vice-governador e presidente estadual do partido, Antônio Andrade. Eles alegam que os nomes da legenda no segundo e terceiro escalões da gestão Fernando Pimentel são da cota pessoal do peemedebista.

Entre os motivos de irritação estão algumas indicações na Cemig. Relatos dão conta de que a diretoria de Gás da estatal ficará sob o comando do filho de Antônio Andrade, por indicação do pai. Eduardo de Lima Andrade é engenheiro civil, trabalhou na indústria da construção pesada, é consultor na área de óleo e gás e participou da equipe de transição do governo.

Além disso, o advogado pessoal de Antônio Andrade, Mateus Moura, que trabalhou na Ceasa, seria o nome para a vice-presidência da empresa. Um membro do partido questionou sua capacidade para a função: “Não sabe como funciona um poste de luz”. A bancada preferia Aloísio Vasconcelos, ex-presidente da Eletrobrás.

De acordo com um deputado federal, Antônio Andrade estaria agindo com “insensibilidade”. “Ele tem que tomar cuidado, pois ele e o Fernando vão precisar dos deputados. Deveria ser mais aberto e pensar no PMDB”, disparou.

A insatisfação também está no nível estadual. O deputado Pastor Vanderlei Miranda reconheceu que há um desgaste. “Realmente alguns colegas não estão tão satisfeitos. Eles acham que o processo está lento para o PMDB, enquanto para o PT e para a cota pessoal do vice-governador andam mais”.

Só obra completa Um projeto de lei do deputado estadual Leonardo Moreira (PSDB) apresentado na última semana proíbe a inauguração e a entrega de obras públicas incompletas ou que, embora concluídas, não estejam em condições de atender a população. Além das questões estruturais, seria considerada a falta de número mínimo de profissionais para prestar o serviço, de materiais e de equipamentos imprescindíveis ao funcionamento da unidade. Se já fosse lei, a proposta teria impedido o caso relatado pelo Aparte em dezembro, quando o então governador, Alberto Pinto Coelho (PP), de quem Moreira era base, e o prefeito Marcio Lacerda descerraram placa de entrega do Centro de Referência da Juventude (CRJ), que teve obras reiniciadas no dia seguinte.

Caixa-preta nos táxis O deputado estadual Alencar da Silveira Jr. (PDT) apresentou projeto de lei que obriga a instalação em táxis de “sistema de segurança com plataforma baseada em gravação de dados – voz e vídeo – similar à caixa-preta de aeronaves, em suas áreas interna e externa”. De acordo com a proposta, “o sistema de gravação de dados se destina exclusivamente à preservação da segurança dos motoristas e usuários de táxis, incluindo a prevenção de furtos, roubos, violência e outros eventos que ponham em risco a segurança dos motoristas e dos usuários de táxis, e deve ser instalado em local escondido nos veículos”. O texto afirma que o Poder Executivo criará mecanismo de compensação financeira para a aquisição, por parte dos motoristas de táxi, de câmeras e equipamentos.

Pressão dos fiscais Em meio aos cortes de gastos gerados pela falta de recursos no âmbito do governo estadual, o Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco-MG) quer convencer o governador Fernando Pimentel (PT) de que a sonegação de impostos é um dos principais problemas para o aperto das finanças. De acordo com o coordenador de Comunicação da entidade, Rogério Ferreira, já são dez anos sem concurso para a área em Minas, o que dificulta a fiscalização e permite “uma sonegação absurda, uma coisa de louco”. Eles pressionam por novas vagas.

Tucanos na moita Um tucano contou à coluna que colegas de partido andam relatando que até hoje não foram “descobertos” no governo de Minas e, por isso não foram exonerados por Fernando Pimentel. Ele acredita que a gestão atual vai passar um bom tempo ainda descobrindo funções “que ainda nem sabem que existem”. Exagera ao falar de “dois anos”. Ao longo dos últimos dias, diversos comissionados ligados a partidos políticos foram exonerados, e outros que não tinham ligação alguma acabaram sendo incluídos na lista dos que foram retirados da Cidade Administrativa.

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