Presente de pai para filha

Há oito anos sem lançar uma canção inédita, Paulinho da Viola cria “Bloco do Amor” para sua herdeira Beatriz Rabello

iG Minas Gerais |

Surpresa. Sambista compôs a música em segredo e apresentou-a à filha durante um almoço de família
MTV/Divulgação
Surpresa. Sambista compôs a música em segredo e apresentou-a à filha durante um almoço de família

Rio de Janeiro. Há oito anos sem divulgar uma canção inédita, desde as duas composições que gravou no “Acústico MTV”, de 2007 (o último álbum de inéditas foi “Bebadosamba”, há 19 anos), Paulinho da Viola surpreendeu a filha Beatriz Rabello com uma música nova de presente: o samba “Bloco do Amor”. Beatriz escolhia o repertório de seu primeiro disco, a ser lançado neste semestre, quando o pai lhe mostrou um papelzinho com a letra, num almoço em novembro. 

Burilado ao longo de dois meses sem que a filha soubesse de nada, o samba evoca o Carnaval e seus personagens, como o trio formado por Colombina, Arlequim e Pierrô (“Sabe, amor/ Eu já tenho um Carnaval pra mim/ E um belo e meigo Arlequim/ Apareceu pra me levar/ Resolvi/ Me livrar daquela velha fantasia/ De uma triste Colombina/ Que sabia/ Fingir felicidade e não chorar”). Daquele jeito dele, disse a ela: “Se quiser, pode gravar”. Cantora e atriz, Beatriz não só aceitou a oferta, como batizou o disco com o título da música.

“Quando tomei coragem de gravar o disco, pedi ajuda para a produção, arranjos, mas não pediria uma música a ele de jeito nenhum. Sei que o ritmo dele é outro, que fica anos preparando uma canção. Por isso, quando ele me mostrou a letra, fiquei muito emocionada”, conta Beatriz, no intervalo de um ensaio do musical “Sassaricando”, de cujo elenco faz parte.

“Gravei o disco entre maio e novembro, e ele já tinha me ajudado bastante, conhecia o tema, que não é exatamente carnavalesco, mas evoca os temas do Carnaval. E a letra dele tem tudo a ver com o álbum, mostra como ele foi conhecendo e tomando intimidade com o disco para fazer algo... Por isso a canção encerra o disco. Originalmente, é um samba, mas, quando fui gravar, propus que na repetição o arranjo a convertesse numa marcha-rancho. Ele ficou receoso, disse: ‘Eu nunca fiz marchinha...’, mas quando ouviu, adorou”.

O disco, que inicialmente se chamaria “Samba, Amor e Carnaval”, está em fase de mixagem. “Agora, se chama ‘Bloco do Amor’, mas não deixa de ser um ‘bloco do eu sozinho’”, diz ela, brincando com o nome do primeiro álbum dos Los Hermanos para contar que foi o ex-integrante da banda Marcelo Camelo quem a animou a fazer tudo sozinha. “Desde a marcação do estúdio ao pagamento dos músicos, fiz tudo por minha conta. Quando Camelo me explicou que é assim que faz também, tomei coragem”.

A história surgiu numa entrevista que Paulinho deu à revista “Personnalité” deste mês, quando contou que guarda várias músicas inéditas prontas, mas ainda sem intenção de gravá-las.

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