Um cinema transdisciplinar

“O Lobo Atrás da Porta” inicia hoje no Sesc Palladium a mostra “Cultura, Arte e Poder”, braço de cinema do VAC

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Passou batido. Com performance arrebatadora de Leandra Leal, “O Lobo Atrás da Porta” é um dos destaques resgatados pelo VAC 2015
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Passou batido. Com performance arrebatadora de Leandra Leal, “O Lobo Atrás da Porta” é um dos destaques resgatados pelo VAC 2015

Dentre os muitos festivais de cinema que acontecem durante todo o ano em Belo Horizonte, a mostra do Verão Arte Contemporânea (VAC) tem um caráter bastante específico que a diferencia na multidão. “Eu já tenho minha visão do cinema, um olhar meio viciado de quem vive em festivais, mas o Grupo Oficcina Multimédia tem um olhar mais aberto e interdisciplinar, que consegue enxergar o que o cinema pode trazer de ganho para o teatro, a música”, avalia Sávio Leite, que divide a curadoria com o grupo pela sexta vez em 2015.

O resultado dessa parceria pode ser conferido a partir de hoje, com a exibição de “O Lobo Atrás da Porta” no Sesc Palladium, às 19h, que abre oficialmente a programação de cinema do VAC deste ano. Serão sete longas e 14 curtas – exibidos no Sesc e no Cine Humberto Mauro, até o dia 12 de fevereiro – girando em torno dos temas “Cultura, Arte e Poder”, que dão o nome à mostra.

O curador admite que o recorte estabelecido pelas três palavras é muito amplo. Mas é Leite que norteia a seleção que o Grupo faz a partir dos trabalhos que ele separa durante todo o ano. “O grande objetivo deles é mapear uma produção instigante e interessante que foi pouco ou nada vista em BH dentro desse recorte de filmes mais recentes”, explica.

“O Lobo Atrás da Porta”, um dos melhores longas nacionais de 2014, que ficou apenas duas semanas em cartaz em uma única sala na capital, é um ótimo exemplo disso. “A Ione (de Medeiros) viu o filme no Festival do Rio e me pediu para eu conseguir porque tinha toda a proposta que eles buscam, roteiro bem feito, produção independente”, descreve Leite, que admite que ele mesmo não tinha visto o longa antes da indicação.

Mesmo reconhecendo esse critério subjetivo – que ele chama do “rigor estético” de Medeiros, diretora do Oficcina Multimédia – como um fator na seleção dos filmes, o curador afirma que existem parâmetros objetivos que a mostra tenta cumprir todos os anos. Um deles é a atenção especial dada à produção local, que neste ano ganha uma seção especial na “Perspectiva Fábio Carvalho”.

O fotógrafo, diretor e produtor mineiro, que vem realizando vídeos de ficção e documentário desde 1984, ganha uma retrospectiva com sete curtas no dia 8 de fevereiro às 20h, no Cine Humberto Mauro (local que, com exceção de “ O Lobo Atrás da Porta”, recebe toda a programação da mostra do VAC). Além dele, Éder Santos apresenta seu “Deserto Azul” e Cao Guimarães marca presença com “O Homem das Multidões – respectivamente nos dias 6 e 9/2, às 21h.

Do local ao mundial, Leite afirma que a mostra tenta também dar visibilidade à filmografia de algum país pouco conhecida ou divulgada no país. Em 2015, eles trazem uma produção de Cabo Verde – o curta “Ulime”, dirigido por Tambla Almeida, exibido nos dias 6 e 11 de fevereiro, às 17h.

“A gente só não coloca mais filmes estrangeiros por questão de produção. Como estamos atrelados ao verão, muitas vezes não há tempo hábil para legendar essas obras, mas é nossa vontade sempre trazer algo diferente, de fora”, diz o curador.

Outra tendência percebida na seleção deste ano são documentários que retratam o processo artístico – refletindo o caráter do VAC de destacar obras que investiguem a relação entre artista, arte e a própria vida. “Anabazys – Anatomia do Sonho – O Terceiro Testamento de Glauber Rocha” (9/2, às 19h; 11/2, às 21h) explora a produção do polêmico “A Idade da Terra” do diretor baiano. “Triunfo” (8/2, às 16h; 10/2, às 19h; e 12/2, às 21h) retrata a trajetória de Nelson Triunfo, um dos principais difusores da música negra e pai do hip hop no Brasil. E “Ouvir o Rio” (10/2, às 17h; 12/2, às 19h) acompanha um trabalho realizado pelo artista plástico Cildo Meirelles nas bacias hidrográficas brasileiras.

Além deles, vários curtas selecionados abordam projetos artísticos de Belo Horizonte. “Esse tema foi uma coincidência, não foi pensado, mas acredito que BH tem um público interessado em ver esse tipo de filme”, considera Leite, apontando para a fome que a mostra do VAC tenta saciar.

Agenda

O que. Mostra “Cultura, Arte e Poder”

Quando. De Hoje a 12/2

Onde. Sesc Palladium (av. Augusto de Lima, 420, centro) e Cine Humberto Mauro (av. Afonso Pena, 1.537, centro).

Programação completa. www.veraoarte.com.br

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