Uma artista que respira e vive a cultura em Contagem

Daniela Graciere é artista visual e atriz, trabalha como diretora, dramaturga, gestora cultural e professora e é uma das vozes expoentes do movimento artístico na cidade

iG Minas Gerais |

História. 

Daniela e o irmão viveram onde hoje se localiza o Centro Cultural de Contagem
Regina C G Feitoza Diniz
História. Daniela e o irmão viveram onde hoje se localiza o Centro Cultural de Contagem

“Contagense sou! /E digo isso para todos. /E digo para todos com tanto orgulho. /Contagem das Indústrias, da Barragem das Flores, do comércio, da Casa de Cacos, das torres e da Igreja Matriz. /Mas na verdade, /Contagem é dos meus pés de manga, das jabuticabeiras, goiabeiras e das várias árvores que podia subir quando criança, para Contagem ser em minha mente o mundo”. O trecho do texto “Contagense Sou”, escrito pela artista Daniela Graciere Feitoza Diniz , de 31 anos, resume bem o sentimento dela – que é nascida e criada aqui – pela cidade.

Além de ser artista e ativista na cidade, toda a sua história de vida é intimamente ligada com Contagem. Nascida na maternidade Monte Cristo – há algumas décadas o único hospital para os contagenses nascerem – Daniela Graciere, por parte de pai, é integrante da tradicional família Diniz, que ajudou a construir a cidade e nomeia várias ruas e avenidas do município. Já sua mãe, que veio para Contagem muito nova, de sobrenome Feitoza, tem família originária de Sergipe e do Rio de Janeiro, e como Daniela destaca “trabalhou muito para conquistar suas coisas por aqui”, diz.

E os pais foram grandes responsáveis por possibilitar a convivência de Daniela, desde cedo, com arte. Ela conta que em sua casa sempre havia muita musica e trabalhos manuais. “Minha mãe pintava e aprendia violão, e eu ia atrás, mas acabei aprendendo teclado. Ela sempre cantava, e isso é muito forte para mim, e também tirava muita fotografia, fazendo com eu ficasse apaixonada por imagens”, revela.

Como que por coincidência, aos 2 anos de idade, a artista foi morar com a família na casa onde, atualmente, é a Biblioteca Pública, no Centro Cultural de Contagem – onde ela viveu até seus 6 anos. Mais tarde, seus familiares foram viver em uma casa ao lado, na rua Francisco Sales. “A minha infância e pré-adolescência foi ali, onde hoje muitos se divertem e atualmente se localiza a praça da Jabuticaba, que era somente um matagal naquela época. Tive uma infância muito feliz”, conta.

Nesse período, ainda na infância, Daniela recorda que ela e uma prima já faziam pequenas apresentações para a família. “Eu e minha prima Cinthia fazíamos peças, na casa da minha avó Marcelina Diniz, e mandávamos convites para toda a família assistir”, lembra.

Hoje, formada em artes visuais pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Daniela não descansa, e além de atuar em várias áreas, está sempre buscando desenvolver novas habilidades. “Fiz muitos cursos livres de teatro, gestão cultural e outras artes, então, trabalho como atriz, diretora, dramaturga, artista visual e com gestão cultural e atualmente estou começando a aprender um pouco o canto” conta.

E como se não bastasse, além do trabalho como artista independente, Daniela também é professora e dá aulas para alunos do ensino fundamental do 8º e 9º anos, na rede pública de Betim. Para ela, para ser professora é necessário ter muita coragem , esperança e amor. “Parece clichê, mas é bem isso, porque infelizmente a realidade das escolas é muito diferente daquela ideal. Temos problemas com o governo, estrutura física, com o conteúdo formal, as drogas, com a estrutura familiar que muitas vezes não é sadia, com a sexualidade, com os valores, com a violência e várias outras coisas”, diz.

Influências marcantes

Além de seus pais, em sua trajetória artística, Daniela considera que teve a influencia de muitas pessoas marcantes. “Quando comecei a estudar teatro, no antigo Centro Cultural de Contagem, aos 15 anos, meus amigos me influenciavam. Tive em meu caminho pessoas maravilhosas, desde o meu primeiro professor de teatro aos professores da UFMG e também aqueles que estudaram comigo, com destaque para os atores do espetáculo ‘À Espera’ que fazíamos no Cine Teatro de Contagem”, conta.

Ela também revela que outras pessoas foram importantes para que ela tivesse mais confiança em si. “Alguns fizeram muita diferença, para que eu acreditasse em minha capacidade artística, como por exemplo: Luiz Rocha que esteve ao meu lado num processo de aprendizado; Marcelo Veronez, que já foi meu diretor e é grande amigo; alem de Andreza Coutinho, Tobias Santos Teixeira, Jessé Duarte, Chedinho e Marcelo Dias, que são pessoas com as quais compartilho minhas vontades e sonhos” diz.

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