‘PT ignorou a realidade do país’

iG Minas Gerais |

São Paulo. Há 30 anos, o PT deu orientação aos seus parlamentares para que não fossem à sessão do Colégio Eleitoral para a escolha do novo presidente da República. Defensor intransigente das eleições diretas, o PT não participou da eleição indireta de Tancredo Neves e de seu vice, José Sarney.

A orientação do partido foi desobedecida, porém, por três parlamentares: Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes. Os três petistas estiveram na histórica sessão e declararam abertamente seu voto em Tancredo.

Logo em seguida iniciou-se o processo de expulsão dos parlamentares. Não foi adiante, porém, porque os três pediram o seu desligamento. “O PT preferiu marcar posição e mostrar coerência com seus princípios do que encarar a realidade”, diz Soares ao relembrar o episódio. “Decidi votar no Tancredo porque o seu adversário, o deputado Paulo Maluf, representava a linha dura do regime militar. Sua vitória significaria o recrudescimento do regime.”

Soares, 69 anos, é advogado e começou a se destacar na cena política nos anos mais duros da ditadura, quando se dedicou à defesa dos presos políticos nas auditorias militares.

Filiou-se ao antigo MDB, e mais tarde, ajudou a fundar o PT. Após o desentendimento de 1985, retornou ao partido de origem, agora denominado PMDB. Em 1992 filiou-se ao PDT.

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