País relembra Tancredo Neves

Em eleição indireta, ex-governador de Minas derrota Paulo Maluf com 300 votos de diferença

iG Minas Gerais |

Histórico. Povo toma as cúpulas do Congresso Nacional no dia da eleição indireta para presidente para demonstrar união contra o regime
Celio Azevedo
Histórico. Povo toma as cúpulas do Congresso Nacional no dia da eleição indireta para presidente para demonstrar união contra o regime

São Paulo. A vitória de Tancredo Neves (PMDB) na eleição indireta à Presidência completou 30 anos nesta quinta-feira, 15 de janeiro. Sua vitória – por 480 votos, contra 180 dados a Paulo Maluf (PDS) – marcou o fim da ditadura militar, embora ele não tenha chegado a tomar posse: morreu em 21 de abril.

O Colégio Eleitoral era formado pelos congressistas e representantes das Assembleias Legislativas. Como em 1982, o PDS tinha vencido as eleições em mais Estados, conquistou 356 votos no colégio, contra 330 da oposição.

A definição dos candidatos ao Planalto só ocorreu após a derrota da emenda das Diretas Já, em abril de 1984. O presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, desistiu de concorrer: numa eleição indireta, o PMDB só teria chance se lançasse um nome moderado, capaz de atrair dissidentes do PDS. Assim, em maio, o partido lançou o governador de Minas Gerais, Tancredo Neves.

No campo governista, o PDS se dividia entre as alas do vice-presidente Aureliano Chaves, do ministro Mário Andreazza e do deputado federal Paulo Maluf. Aureliano era a figura mais popular do governo. Andreazza era o nome mais próximo do presidente João Figueiredo. Maluf tinha cerca de 40% dos delegados do PDS, mas era rejeitado pelos demais grupos do partido.

Em junho de 1984, o então presidente do PDS, senador José Sarney, tentou aprovar na Executiva a proposta de fazer uma prévia nas bases do partido para escolher o candidato – o que beneficiaria Aureliano Chaves. A proposta foi rejeitada pelo grupo de Maluf no PDS.

José Sarney renunciou à direção do partido após esse resultado. O grupo de Aureliano deixou o PDS em 3 de julho, levando 45 parlamentares. Dez dias depois, eles deram apoio a Tancredo em troca da vice-Presidência, entregue a José Sarney. Com essa manobra, o PMDB ganhou a maioria no colégio.

Na convenção do PDS, em 11 de agosto, Maluf derrotou Andreazza por 493 votos a 350, mas o grupo derrotado aderiu em massa à candidatura de Tancredo Neves.

Maluf recorreu ao TSE exigindo fidelidade partidária dos pedessistas. Em 27 de novembro, a Corte decidiu por unanimidade que eles eram livres para votar. Em 15 de janeiro, o PDS rachou ao meio: 174 pedessistas votaram em Maluf, e 166, em Tancredo. Daí os 300 votos de vantagem.

Espectador

“Tancredo sabia que setores importantes das Forças Armadas compreendiam que o ciclo militar estava no fim. Ao mesmo tempo, havia setores mais radicais, que esperavam um motivo qualquer para retroceder. Era um olho no gato e outro na frigideira.”

Aécio Neves - neto de Tancredo

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