Até cavalo morto consegue desestabilizar o governo

As secretarias de Desenvolvimento Econômico, Infância, Esporte, Administração, Governo, a Transbetim e até a Defesa Civil levaram dois dias para ‘resolver’ problema

iG Minas Gerais | Da Redação |

O secretariado de Carlaile queimou muitos neurônios para conseguir retirar, depois de dois dias, o animal morto no Brasileia
João Lêus
O secretariado de Carlaile queimou muitos neurônios para conseguir retirar, depois de dois dias, o animal morto no Brasileia

Parece brincadeira, mas um cavalo morto, abandonado às margens de uma rua no bairro Brasileia, na região Central de Betim, expôs a precariedade administrativa e a falta de presteza do governo municipal.

Seria cômico se não fosse trágico. O animal foi atropelado no último domingo (11) e só foi recolhido cerca de 48 horas depois, na manhã da terça-feira (13). Porém, antes de “resolver” o problema, quase todo o secretariado da gestão de Carlaile Pedrosa (PSDB) foi envolvido em uma discussão sem fim, com um secretário passando a responsabilidade para o outro.

A reportagem recebeu as mensagens trocadas por funcionários do alto escalão do governo, através de uma rede social, de um dos envolvidos na discussão, que se declara “revoltado com a falta de ação de uma prefeitura que não consegue resolver nem o menor dos problemas”.

A troca de mensagens envolveu pelo menos dez secretários municipais e outros integrantes do primeiro escalão da gestão municipal. A saga começou com uma mensagem enviada pelo secretário de Comunicação, Hugo Teixeira: “Tô tentando evitar que o cavalo morto vire matéria”, posta.

O diálogo, que durou cerca de quatro horas sem obter êxito, prossegue com o responsável pela Comunicação Social da prefeitura tentando convencer os colegas: “Não está na autopista... (O cavalo) tá numa rua na esquina do Posto da Curva”, diz ele.

A secretária de Governo, Zizi Soares, também entra na conversa. “Não consegui falar com o Palmério (gerente da Regional Centro). Estou tentando falar com o Israel”, inquieta-se. Sem uma solução, o secretário de Administração, Wagner Lara, responsável por cuidar de toda a parte administrativa da prefeitura, envolve o secretário de Desenvolvimento Econômico, Fabrício Freire, que deveria estar cuidando de políticas de investimento para o município. “Fabrício, não tem como ajudar, não?”, indaga Lara.

Zizi explica que Fabrício não poderia responder: “Liguei para o Fabrício, e o celular está desligado”. Ela ainda recorre a Givaldo, presidente da Transbetim, empresa que gerencia o trânsito e o transporte da cidade, esquecendo-se de quem é mesmo a responsabilidade pela retirada de animais das ruas do município.

Quase duas horas depois, em tom de alívio, Zizi volta à discussão e sentencia o fim do dilema. Com sinais de “amém”, ela informa ao grupo que tinha, enfim, conseguido falar com Israel e que ele “já estava a caminho para a retirada do cavalo”. Às 20h22, Hugo Teixeira comemora a proeza: “Ótimo. Muito bom”. Porém, o secretário de Comunicação comemorou antes da hora. A luta para retirar a carniça ainda levou algumas horas, apesar de a trapalhada envolver todo o estafe do prefeito. A comunidade só conseguiu ficar livre do fedor no dia seguinte, quando uma equipe da prefeitura recolheu o animal.

Cavalgada

Moradores do Riviera, bairro que fica próximo ao local onde o cavalo estava, ficaram indignados com a demora da prefeitura em resolver o problema.

Segundo a dona de casa Maria Guimarães, esse cavalo participava da cavalgada de Santa Teresinha, realizada no domingo (11), quando teve um infarto e morreu no local. “Chamamos a prefeitura, mas não agiram rápido. Foi preciso o fedor aumentar para agirem. Com esse calor, a carcaça do cavalo entrou rapidamente em decomposição, gerando um fedor insuportável”, disse ela.

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