Resolução determina mudanças para a venda de animais

Forma como bichos são exibidos em lojas e feiras devem ser mudadas para garantir a saúde dos animais e evitar contaminações

iG Minas Gerais | FELIPE CASTANHEIRA |

Entrou em vigor nesta quinta-feira(15) a resolução do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) que determina princípios e normas que devem nortear os estabelecimento veterinários, tanto os que comercializam animais quanto aqueles que prestam socorro médico ou oferecem serviços de higiene e estética para os bichos de estimação. A resolução CFMV 1.069/2014  foi publicada nesta segunda-feira(12) no Diário Oficial da União, com prazo de três dias para entrar em vigor.

A resolução determina que os bichos a venda não sejam tocados ou carregados de imediato pelos clientes de pet-shops e feiras. A mudança busca preservar a saúde dos animais, que podem ser infectados ao serem tocados pelas pessoas que visitam as lojas e eventos."O contato deve acontecer somente nos casos de venda iminente. Essa medida pode evitar, por exemplo, que os animais em exposição sejam infectados por possíveis doenças levadas nas roupas das pessoas", explica Benedito Fortes de Arruda, presidente do CFMV.

O médico veterinário Cleber de Souza avalia que estas medidas são muito importantes e relata que várias vezes já atendeu animais que estavam doentes quando foram vendidos. Como exemplo ele cita cães e gatos comprados na Feira Hippie de Belo Horizonte e no Mercado Central, onde ocorre este tipo de comércio. Souza acredita que os donos de estabelecimentos e pet-shops que atuam nesta área vão tentar de alguma forma reverter o que foi definido pela nova resolução. "Eles têm um mercado próprio e já estão acostumados com aquilo, por isso vão tentar reverter a situação", explica.

Os responsáveis pelas lojas que comercializam animais também devem garantir que os bichos que apresentam sinais de estresse sejam retirados dos locais onde ficam em exposição. O mesmo vale para feiras e eventos agropecuários. A venda ou doação de fêmeas gestantes fica proibida assim como a comercialização de animais que tenham tido as caudas cortas, garras extraídas ou tenham passado por cirurgias para retirar as cordas vocais.

As mudanças também também atingem os hospitais e clínicas veterinárias. Com a nova resolução, para que um estabelecimento seja definido como hospital veterinário ele deverá realizar atendimentos por 24 horas, para serem enquadrados como clínicas, devem ter ambulatório e centro cirúrgico. As pet-shops poderão apenas oferecer consultas simples, sem internação.

A cirurgiã veterinária Raquel Lima acredita que esta não será uma adequação fácil, já que exige salas especiais nos estabelecimentos, como centros cirúrgicos e salas para a assepsia e para recuperação anestésica. Ela avalia que a maior parte das clínicas de Belo Horizonte não têm esta estrutura e que o prazo para adequação pode não ser suficiente para que as modificações sejam feitas.

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