Passado e presente que se prestam a igual serventia

iG Minas Gerais |

Nosso país apresenta singularidades interessantes: “No Brasil, até o passado é incerto”. Na mesma trilha, costumo dizer que, aqui, o futuro começa no passado e o presente lança as suas fundações no futuro. Explico-me com um exemplo: a companheira Dilma, não tão fiel assim, teria começado a caminhada rumo ao destino do candidato do bolso de colete; estaria preparando lugar para o seu escolhido “del cuore”. Uma adepta sincera do “quem levanta cedo bebe água limpa”? Noblat, em “O Globo”, disparou que “Mercadante é candidatíssimo à vaga de Dilma”. “Terá contra si sua arrogância e prepotência”, conforme teria declarado a ministra da Cultura do governo precedente. Quando é assim, mal terminado o pleito de ontem, o sinal é significativo. Não dou palpite nessa briga, pois nada tenho a ver com ela. Valho-me sempre do ditado roceiro, sábio e oportuno: “Em festa de jacu, nhambu não entra”. Na realidade, não conheço nenhum dos dois, com os quais nada tenho em comum, senão a aversão sincera e definitiva. Cá entre nós, se tivesse de escolher, provavelmente elegeria o ministro Mercadante, que, em matéria de antipatia, arrogância e outros sinônimos, parece imbatível. Conhece o amável leitor o tal Putin, o novo czar da Rússia? A meu ver, parada dura. Imagine o brasileiro e o russo digladiando-se! Como quer que seja, o passado já começou a elaborar o futuro, e pode muito bem ser que, nessa arena, os protagonistas principais se enforquem. Pois que o façam. Do outro lado da ponte, o passado também ensaia os passos dançantes, que, aliás, nem são de hoje. Quem se arrisca a adivinhar? Não vale dizer que a oposição, capitaneada por Aécio e Alckmin, passada a trégua da eleição, ou mesmo antes dela, vem empunhando armas. Só um imprevisto, como o que matou o jovem ex-governador de Pernambuco, poderá mudar os rumos da procela formada de há muito. Não sou tucano – aliás, neste particular –, não sou nada, até porque nada represento. Foi o que ponderei ao meu saudoso amigo Aureliano Chaves quando este foi convidado para participar do PSDB. Ele, que foi a pedra fundamental da candidatura de Tancredo Neves, era o mais representativo dos políticos, que, entre outros de igual coragem, trouxe de volta a democracia. Hoje, entretanto, está esquecido. Política é isso mesmo. Os gregos, muito sábios, inventaram o ostracismo. Bem-sucedidos sufocando a vida, que dirá o corpo devorado pelos vermes? Antes de iniciar-se a guerra, a batalha pelo poder mostra as hostilidades inaugurais. Aquela tem data marcada: as eleições de 2018. Obviamente, até lá, a lambança toda terá de desaparecer, principalmente na área econômica. Será que a companheira presidente sustentará o principal comandante, o ministro da Fazenda? Haverá, pois, pelo menos duas decisivas batalhas internas: a da imposição do ministro Mercadante – e S. Exa. não é Lula – e a vitória de Joaquim Levy e sua equipe. D. Dilma, muita coragem! E cuidado com a corrupção. Pode comprometer-lhe todos os sonhos de poder. Foi longe demais: tornou-se intolerável.

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