Laços entre música e dança

Dorothé Depeauw, Maya Dalinsky e o trio Infinito Menos estreiam “Inscrição-Memória-Rasura” hoje à noite no VAC

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Experiência. Em “Inscrição-Memória-Rasura”, bailarinos e músicos se alternam na produção sonora e na construção coreográfica
Dorothe Depeauw
Experiência. Em “Inscrição-Memória-Rasura”, bailarinos e músicos se alternam na produção sonora e na construção coreográfica

As bailarinas Dorothé Depeauw e Maya Dalinsky, após se conhecerem em 2006, na Bélgica, afinaram uma parceria junto com o trio de música contemporânea Infinito Menos que resulta no trabalho “Inscrição-Memória-Rasura”. Uma das atrações do Verão Arte Contemporânea, a apresentação estreia hoje na sala multiuso do Centro Cultural Banco do Brasil, e fica em cartaz até amanhã.

A criação segue a dinâmica de um performance multimidiática, que surge a partir de uma residência realizada em abril de 2014. O mote para o desenvolvimento do trabalho foi o interesse mútuo dos envolvidos pelas partituras visuais de Mário Del Nunzio, um dos integrantes do grupo Infinito Menos, ao lado de Henrique Iwao e Matthias Koole.

Koole explica que, ao contrário de uma notação musical comum, nas de Nunzio não há a representação de notas a serem tocadas por um intérprete, mas sim os movimentos a serem cumpridos. Ele alcança isso utilizando a linguagem do vídeo, o que, para o músico, facilita o processo.

“Esse tipo de partitura torna a tarefa mais fácil para todo mundo. Nunzio apresenta, dessa forma, o movimento de uma obra musical completa e isso acaba interessando bastante as pessoas da área de dança porque permite uma hibridização. Os mesmos movimentos usados para tocar servem como referências para a dança. Isso permite uma comunicação entre essas duas disciplinas”, afirma Mathias Koole.

Tal diálogo, ao seu ver, abre outras possibilidades e é diferente do que se conhece por meio das relações mais frequentes entre trilha sonora e coreografia. “A performance vai em outra direção, se comparada àquela em que alguém dança em cima de uma música ou quando alguém toca a partir de um conjunto de gestos”, sublinha Koole.

De acordo com Dorothé Depeauw, essa arranjo também coloca músicos e bailarinos em uma situação de grande cumplicidade, uma vez que ambos exercem os mesmos papéis. “Cada um ali tem sua especialidade, mas, ao mesmo tempo, todo mundo é um pouco compositor e coreógrafo nesse espetáculo”, acrescenta ela.

Depeauw, por exemplo, produz sons esfregando, entre outros objetos, um pente de ferro sobre uma placa de zinco. Já Dalinsky manipula um teclado ligado a uma pedaleira de guitarra. Elas são guiadas pelas partituras visuais que são projetadas em vídeos e foram produzidas pelo elenco durante os encontros promovidos no ano passado. “Nós tomamos como modelo a notação para guitarra elétrica de Mário Del Nunzio. Foi durante três semanas de abril que nós elaboramos o que apresentamos agora”, diz Koole.

Fronteiras. Para Depeauw, essa iniciativa também aprofunda as suas pesquisas centradas na interface entre dança e outras linguagens. Uma contribuição que ela percebe ter sido reforçada com a participação de Delinsky é a aproximação maior com o vídeo.

“Maya está bastante envolvida com alguns recursos possibilitados pela tecnologia, e esse tipo de abordagem é algo importante que ela traz como um elemento novo. As partituras gráficas é um exemplo de algo que eu comecei a lidar corporalmente a partir desse trabalho”, conta Depeauw, que se apresenta com a bailarina norte-americana pela primeira vez.

Koole, por sua vez, pontua ser este mais um passo seu no universo da dança. “Eu já compus trilhas para trabalhos de Cris Oliveira, o ‘Prancha Coreográfica’ e também para a Christina Fornaciari, em “Dumping Ground”. Como nessas outras vezes, agora eu também estou no palco”, diz.

Agenda

O quê. Estreia de “Inscrição-Memória-Rasura” no VAC

Quando. Hoje e amanhã, às 19h

Onde. Sala Multiuso do Centro Cultural Banco do Brasil (pça da LIberdade, 450)

Quanto. R$ 10 e R$ 5(meia)

Saiba mais

O Trio Infinito Menos foi criado em 2012 por Henrique Iwao, Mário Del Nunzio e Matthias Koole. Eles mantém o foco na música contemporânea e experimental. Desde aquele ano, eles mantém o contato com outras áreas artísticas, como a dança e artes visuais, propondo a criação de composições autorais.

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