Vamos correr, gente!

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Na semana passada, fui correr na lagoa. Aderindo a essa ótima modalidade esportiva, resolvi levar minha cachorra junto. E lá fomos nós, ela com sua coleira e uma enormidade de empolgação. Começamos bem, ela à frente e eu atrás, em ritmo acelerado. Até que, de repente, do nada, ela resolveu frear, e eu, sem tempo hábil de perceber isso, não parei. Resultado: atropelei-a sem querer e aterrissei no cimento duro do outro lado da calçada. Caí feio, machucando mãos, joelhos, cotovelos, tudo! Um desastre que atraiu vários caminhantes para acudir. “Machucou?”, perguntavam-me. “Acho que não, está tudo bem!”. Isso, ainda esparramada no chão, tentando calcular o tamanho do estrago. A cachorra, minha pit-lata preferida, voltou rapidamente e se sentou ao meu lado, provavelmente sabendo que alguma coisa tinha feito para eu estar ali. Sua cara preocupada me fez perdoá-la na hora. Mancando, voltamos pra casa. Há alguns anos, minha mãe “atropelou” um brinquedo dos netos à beira de uma escada. Final da história: uma prótese na bacia! Cair é um perigo, principalmente para os idosos, cujos ossos se quebram com facilidade e cuja recuperação é complicada. Um dos motivos por que resolvi fazer pilates é esse: prevenir-me de futuras fraturas, além do fato de poder trabalhar musculatura, flexibilidade, postura, equilíbrio, respiração, entre outros, num momento de prazer e consciência corporal. Se pilates emagrece? Provavelmente não, mas, com certeza, faz um bem enorme. Há uns dois anos, após uma parada geral e preguiça endêmica, almoçando com os jogadores de vôlei do Sada Cruzeiro, ouvi a pergunta: “E você, Laurinha, o que anda fazendo de esporte?”. “Nada”, respondi. E vi as caras de espanto. “Ai, gente, não estou fazendo nada!”, completei, sem graça. “Nem caminhar?”, perguntaram surpresos. “Ai, ai, ai”, pensei. Como explicar para uma turma de atletas, com seus 2 m de altura e sabe-se lá quantos centímetros de bíceps, que eu era uma “antiatleta” total, que minha esteira já tinha virado cabide fazia muito tempo e que aquelas caminhadas de uma hora por dia eram coisas do passado? Assumi, envergonhada, minha posição, pensando em, no dia seguinte, tomar minhas providências. E foi o que fiz: matriculei-me no tênis. No começo quase morri, afinal, depois dos “enta”, passar uma hora correndo atrás de bolinhas, definitivamente, não é fácil. Um ano depois, deixei de jogar com adolescentes e passei a jogar com adultos. A glória! Quando me falaram sobre o pilates, confesso que, no início, achei uma chatice. Esse negócio de alongamento, respiração cronometrada, se esticar em bolas gigantescas... Sei não. Até descobrir que por meio dele eu havia desenferrujado, passando a trabalhar músculos que nem sequer sabia que existiam. Sucesso! Depois, a volta natural à academia. O difícil era casar horários, o tempo sempre corrido. Tênis no início da noite, pilates e academia em dias alternados na parte da manhã. Nos fins de semana, o reinício das caminhadas, até ir acelerando os passos e me descobrir correndo. Uhuuuu!!!

E hoje aqui estou, sentada no computador enquanto o sol brilha lá fora. É sábado, dia de corridas, caminhadas e águas de coco. Minha pit-lata está ao meu lado, querendo que eu brinque com ela. Impossível! O corpo continua doído, acho que nem o remedinho “faixa roxa” que minha mãe tomou durante certa ocasião me faz levantar para correr. Explico: quando morei em São Paulo, passei alguns meses sem ver minha mãe, embora nos falássemos todos os dias por telefone. Na véspera do Natal, ela veio nos visitar. Fui correndo abrir a porta e me assustei ao ver seu rosto bem mais redondo que o normal. Preocupada, comentei com meu marido. “O que houve com a mamãe? Ela sempre foi magra, e isso não parece ser gordura”. Escutei dela que, apesar dos quilinhos a mais, estava ótima, as dores na perna tinham sumido, e sua disposição era tanta que podia até pular janelas. Contou-me do remédio milagroso que tirou sua amiga da cama e a fazia pular janelas. Retirou da bolsa um frasco branco, de plástico, em cuja etiqueta havia um número, mais nada. Nem sequer constava o nome do laboratório, se é que ele existia legalmente. Olhei aquilo com desconfiança e fui sondar com o “Dr. Google”. Descobri que a pílula milagrosa era proibida pela Anvisa, investigada pela Polícia Federal, e os diabos. Uma mistura de corticoide com outros anti-inflamatórios, ou seja lá o que for, que dava uma incrível sensação de potência, além de pôr fim às dores crônicas. “Mãe, pelo amooor de Deus! Onde você arrumou isso?” E ela veio me contar a história. A amiga, acamada por dores, recebeu a indicação de um senhor idoso e reumático, seu amigo. Era só ligar que entregavam o produto em casa. O remédio animou o reumático, fez levantar da cama a sua amiga e correr a minha mãe. Entendi que havia uma rede de desavisados correndo de boca em boca, entre amigos setuagenários. Descobri que a irmã de meu pai já estava prestes a tomar. Também um tio, que costuma dizer que subir escadas para ele já é esporte radical, era um forte candidato. Fui sondar com um médico os seus efeitos colaterais: inchaço, pressão alta, taquicardia e morte. Sim, aquilo em excesso podia matar. Claro, estavam adorando a coisa, nunca tinham se sentido tão dispostos. Menos mal que descobri a tempo, alertando a todos do perigo. E me lembrei de uma colega que vivia atrás de dietas denominadas milagrosas, como um tal chá de 27 ervas ou algo parecido, que mereceu inclusive denúncias nos jornais. Seu milagre? Fazer emagrecer tantos quilos numa semana. Com vários efeitos colaterais, foi proibidíssimo pela Anvisa. E sabe o que ela me disse toda satisfeita? “Sem problemas, descobri uma lojinha no mercado que vende escondido”. Mas, como eu ia dizendo, hoje nem a cápsula milagrosa da mamãe me levanta desta cadeira. Quem sabe o “27 ervas” compensará as calorias que estou deixando de perder? Brincadeira, claro! Dessas maluquices estou fora. E vamos nos exercitar, gente!!!

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