FIT-BH 2016 aposta em trocas e novas parcerias

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

Leônidas de Oliveira e Cassio Pinheiro anunciam novos curadores
Thainá Nogueira/ Divulgação
Leônidas de Oliveira e Cassio Pinheiro anunciam novos curadores

O orçamento-base para o Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte – FIT-BH 2016 já está garantido. Segundo Leônidas de Oliveira, presidente da Fundação Municipal de Cultura (FMC), a prefeitura já teria empenhado e assinado um aporte de R$ 5,8 milhões para a próxima edição, prevista para acontecer em julho do ano que vem. A data, porém, pode ser alterada, a depender do calendário de outros festivais latino-americanos com os quais seja possível estabelecer parcerias para dividir os custos de viagem de produções internacionais.

“Parceria”, aliás, é a palavra de ordem no discurso dos envolvidos com o planejamento do FIT-BH 2016. O foco agora é fortalecer o programa Intercena, que responde por intercâmbios internacionais e, segundo o diretor de artes cênicas da FMC, Cássio Pinheiro, deve ser a “ponte” entre duas edições do festival, impulsionando grupos locais a se apresentarem em outros países e estabelecendo parcerias que facilitem a vinda de companhias de fora.

“Assinamos um acordo de cooperação internacional com os governos da França, da Alemanha e da Espanha e com a prefeitura de Montevidéu (Uruguai), e estamos trabalhando em outros”, adianta Oliveira.

Eduardo Moreira, um dos novos curadores, reforça essa ideia relembrando que o próprio Grupo Galpão nasceu a partir do encontro entre os atores em uma oficina ministrada por integrantes do Teatro Livre de Munique. E o FIT-BH, ainda como Festin, nasceu no momento em que o grupo mineiro começava sua carreira internacional e via na Europa e na América Latina grupos que tinham um vínculo forte com as comunidades nas quais se inseria, o que era determinante tanto para a sobrevivência desses coletivos como para o seu reconhecimento social.

Com esses exemplos, o novo curador está pensando em atividades que possam deixar um legado para a cidade e criar vínculos, seja por meio de coproduções, convites para artistas de fora trabalharem com grupos da cidade ou outras iniciativas semelhantes.

Diego Bagagal também vê como desafio criar diálogos efetivos entre a realidade internacional e a regional. Uma das possibilidades cogitadas é estimular trocas que tragam ao Brasil avanços tecnológicos na produção teatral. “A tecnologia é uma plataforma latente no teatro europeu, a técnica (do espetáculo) é feita por aplicativo de iPhone”, exemplifica.

Além de tudo, é meta do FIT-BH 2016 prosseguir com a descentralização já implantada nas últimas edições. Para isso, contará, entre outros espaços, com o Teatro Raul Belém Machado, que aguarda reforma no palco e mobiliário para ser inaugurado. No centro, a novidade será o Palco da Diversidade, que abrigará um público de até 3.000 pessoas em área aberta no Parque Municipal.

Dívida. A edição do FIT 2014, segundo Leônidas de Oliveira, foi toda paga. Persiste, porém, o impasse em relação ao festival de 2012, que deixou uma dívida de R$ 1,3 milhão. O presidente da FMC argumenta que esse valor é referente a trabalhos sem contratos e que, por isso, não poderiam ser pagos pela prefeitura. “Cadê os documentos?”, indaga.

Questionado se não caberia à FMC justamente corrigir essa questão jurídica para que os fornecedores não sejam prejudicados, ele respondeu que a própria auditoria já concluiu que os trabalhos foram realizados. “Nós, agora, vamos analisar como proceder para os pagamentos”, completou, informando o prazo de dois meses para um novo parecer.

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