Enem expõe falha na formação

Currículo escolar no Brasil exige pouca leitura, e alunos não são estimulados à prática da escrita

iG Minas Gerais | Aline Diniz e João Paulo Costa |

O fiasco da prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014, na qual mais de 500 mil alunos tiraram nota zero, pode ser explicado por três principais aspectos: falta de orientação com relação à escrita, escasso exercício de leitura e a ausência de políticas que priorizem a escrita nos currículos escolares do Brasil. É o que apontam especialistas em educação ouvidos pela reportagem de O TEMPO.

Dos mais de 6 milhões de estudantes que fizeram o exame, 250 tiraram a nota máxima (mil pontos) na redação. Nesse universo, 248,4 mil redações foram anuladas pela falta de obediência ao tema proposto (Publicidade Infantil), e por cópia do texto do enunciado da questão.

Para a doutora em educação e professora colaboradora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Leiva Leal, o ensino atual é marcado pelo imediatismo, no qual os alunos não assimilam efetivamente as formas de se elaborar um texto e acabam pulando etapas. “Somos um país que escreve mediocremente. Na escola, o professor manda escrever, porém, não ensina como fazer”, considera.

Leiva ressalta que os educadores deveriam adotar a postura de estimular a leitura e, concomitantemente, ministrar as técnicas de escrita dos diferentes tipos de textos. E não se surpreendeu com o fracasso dos estudantes. “O que me assusta é o pequeno número de apenas 250 alunos alcançarem a nota máxima na redação, em um universo de mais de 6 milhões”.

O especialista em educação Cláudio de Moura Castro acredita que se o estudante tirou zero na redação “ele não sabe escrever nada”. Castro não considera que cursinhos pré-vestibulares ensinem a escrever. Essa competência é, conforme observa, apreendida durante todo o processo escolar, que se inicia no primeiro ano do ensino básico. “Não tem mistério, é escrevendo que se aprende a escrever”, diz.

Castro acrescenta que o repertório de leitura ajuda na construção de textos sobre qualquer assunto. “Não acho que o tema foi difícil. Não saber discorrer é não ter domínio da língua”. (Com agências)

 

Resposta

Governo. Por telefone, a assessoria da Secretaria de Estado de Educação informou que passa por um momento de transição e que a pasta vai avaliar as políticas públicas para os próximos anos.

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