Alemanha restringirá viagens para impedir saída de jihadistas

Lei já permitia confiscar os passaportes dos suspeitos, mas a nova legislação também vai autorizar a apreensão dos documentos de identidade

iG Minas Gerais | AFP |

Alemanha restringirá viagens para impedir saída de potenciais jihadistas
Alemanha restringirá viagens para impedir saída de potenciais jihadistas

O governo alemão anunciou, nesta quarta-feira (14), que aumentará as restrições a viagens para impedir que potenciais jihadistas embarquem para a Síria, ou para o Iraque, após os atentados em Paris na semana passada. O novo texto deve ser examinado pelo Parlamento na semana que vem.

A lei alemã já permitia confiscar os passaportes dos suspeitos, mas a nova legislação também vai autorizar a apreensão dos documentos de identidade. Hoje, é possível viajar dentro da União Europeia e para a Turquia apenas com esses papéis, sem o passaporte.

O documento confiscado será substituído por outro, escrito em vários idiomas e válido por um período máximo de 18 meses, informando que seu detentor está proibido de viajar.

"O objetivo é impedir as viagens de gente que procura ir para zonas de combate - na Síria, por exemplo", explicou à imprensa Steffen Seibert, porta-voz da chanceler Angela Merkel, após a adoção do texto no Conselho de Ministros.

Mais de 600 alemães foram combater na Síria e no Iraque, e pelo menos 60 morreram, publicou o jornal "Rheinische Post", citando fontes dos serviços de Segurança.

Acredita-se que cerca de 180 desses indivíduos tenham retornado para a Alemanha.

Pelo menos 20 pessoas conseguiram chegar a zonas de combate com sua carteira de identidade depois de terem o passaporte confiscado, estimou o governo, de acordo com a edição de terça-feira do jornal "Die Welt".

O Ministério do Interior afirmou que a maioria viajou para a Turquia e, depois, cruzou a fronteira com a Síria. Outros passaram pela Bélgica, ou pela Holanda, para tentar burlar a vigilância.

O governo também pretende penalizar os preparativos de viagem para uma zona de combate jihadista, ou para o envio de armas. Esse adendo modificaria uma lei de 2009 que punia quem tivesse cometido esse tipo de crime em seu retorno à Alemanha.

A lei penalizará, por exemplo, suspeitos que tentarem sair da Alemanha com armas, coletes à prova de balas, ou equipamentos de visão noturna.

O ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, anunciou ainda que vão aumentar as penas em caso de financiamento de atos de terrorismo, mesmo que se trate de valores muito baixos.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave