Ações da Vale despencam com tombo do minério e puxam Bolsa para baixo

Também em baixa, os papéis preferenciais da Petrobras mostraram recuo de 2,89%, para R$ 8,74 cada um

iG Minas Gerais | Folhapress |

Diretoria executiva da Vale propõe pagar US$ 2,1 bilhões a acionistas
Vale/Divulgação
Diretoria executiva da Vale propõe pagar US$ 2,1 bilhões a acionistas

A quarta-feira (14) foi marcada por um novo tombo nos preços das commodities no exterior, após o Banco Mundial ter cortado suas projeções de crescimento global em 2015. O movimento afetou as ações da Vale na Bolsa brasileira, puxando o principal índice do mercado de ações nacional para baixo.

O Ibovespa cedeu 0,82%, para 47.645 pontos. O volume financeiro foi de R$ 6,469 bilhões -em linha com a média diária em 2015, de R$ 6,362 bilhões, segundo dados da BM&FBovespa. Foi a quarta queda consecutiva do índice.

As novas estimativas do Banco Mundial para o crescimento global derrubaram os preços do minério de ferro na China para perto de seu menor valor em mais de cinco anos, prejudicando as grandes exportadoras mundiais.

O Citigroup também cortou a projeção para o preço do minério de US$ 65 para US$ 58 a tonelada em 2015. O petróleo, por sua vez, mostrou ligeira recuperação nesta quarta, mas já perdeu cerca de 60% desde junho do ano passado.

A expectativa do Banco Mundial é que o crescimento econômico global seja de 3% em 2015, frente ao avanço de 3,4% projetado anteriormente. Para o Brasil, a entidade vê aumento de 1% no PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, um dos piores desempenhos entre as principais economias globais. Em junho do ano passado, a instituição previa alta de 2,7% para o Brasil em 2015.

"O corte nas projeções afeta principalmente as produtoras de commoditie porque não é algo passageiro, de curto prazo", diz André Moraes, analista da corretora Rico. As ações preferenciais da Vale, sem direito a voto, perderam 7,77%, para R$ 18,40 cada uma. As ordinárias, com direito a voto, cederam 8,04%, para R$ 20,70.

"O mercado está confiante nas medidas de ajuste fiscal no Brasil, mas a atividade não dá sinais de melhora. Além disso, no exterior, o fraco desempenho da economia global deve continuar pressionando as empresas de commodities no médio prazo", diz Fernando Aldabalde, gestor da Áquilla Asset Management.

Também em baixa, os papéis preferenciais da Petrobras mostraram recuo de 2,89%, para R$ 8,74 cada um. O ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró foi preso preventivamente por policiais federais na madrugada desta quarta-feira (14).

Cerveró ocupou o cargo entre 2003 e 2008, e esteve à frente da compra dos 50% iniciais da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. Segundo o TCU (Tribunal de Contas da União), o negócio gerou perdas de US$ 792 milhões à petroleira.

PETRÓLEO

"A Petrobras e as demais petroleiras globais têm sofrido muito com a forte queda do petróleo, numa dimensão que há muito tempo não se via. A estatal brasileira tem agravantes, como o escândalo de corrupção que a impediu de divulgar seus resultados no ano passado", afirma Moraes.

A perda das ações da Petrobras, segundo o analista, "reflete a insegurança de investir numa empresa no meio de escândalos. Se o investidor gostar do setor, investe em outra companhia da área, ou ligada à ela, que não esteja nessa situação."

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, reduziu a previsão de preços para o petróleo brent no primeiro semestre de 2015 de US$ 70 para US$ 52,50. Mas, em relatório, ressaltou que espera "uma recuperação dos preços no segundo semestre, atingindo US$ 70 por volta do fim do ano".

As ações da Embraer chegaram a cair mais de 7% logo após a abertura do mercado nesta quarta-feira (14), após a companhia ter revisado a projeção de fluxo de caixa livre em 2014 de levemente positiva em dois dígitos para negativa da ordem de US$ 400 milhões. Os papéis, no entanto, perderam força e fecharam com perda de 5,39%, para R$ 21,40.

O setor bancário, que começou o dia no vermelho, inverteu a tendência no final da manhã e amenizou o desempenho negativo do Ibovespa. Este é o segmento com maior participação dentro do índice. O Itaú Unibanco subiu 0,68%, para R$ 34,12, enquanto o papel preferencial do Bradesco mostrou alta de 1,06%, para R$ 35,32. O Banco do Brasil avançou 0,73%, para R$ 22,18.

CÂMBIO

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 0,64% sobre o real, cotado em R$ 2,615 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, também cedeu 0,64%, para R$ 2,623.

Segundo operadores, a cautela com a economia global foi amenizada em partes pelo otimismo em relação ao comprometimento da nova equipe econômica do governo com a situação fiscal do Brasil.

Além disso, também colaborou o fraco desempenho do varejo norte-americano em dezembro, o que reforçou a aposta do mercado de que o Fed (banco central dos EUA) será paciente para subir os juros naquele país. Um alta na taxa provocaria a saída de recursos dos emergentes, como o Brasil, o que pressionaria a cotação do dólar para cima.

O Banco Central do Brasil deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, através do leilão de 2 mil contratos de swap cambial (operação que equivale a uma venda futura de dólares), por US$ 97,6 milhões.

A autoridade também promoveu um outro leilão para rolar 10 mil contratos de swap que venceriam em 2 de fevereiro, por US$ 488,6 milhões. Até o momento, o BC já rolou cerca de 38% do lote total com prazo para o segundo dia do mês que vem, equivalente a US$ 10,405 bilhões.

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