Irã e líderes islâmicos criticam nova caricatura de Maomé em jornal

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Marzieh Afkham, considerou a capa do jornal "insultante" e condenou o gesto do periódico atacado

iG Minas Gerais | Folhapress |

A handout document released on January 12, 2015 in Paris by French newspaper Charlie Hebdo shows the frontpage of the upcoming
AFP
A handout document released on January 12, 2015 in Paris by French newspaper Charlie Hebdo shows the frontpage of the upcoming "survivors" edition of the French satirical weekly with a cartoon of the Prophet Mohammed holding up a "Je suis Charlie" ('I am Charlie') sign under the words: "Tout est pardonne" ('All is forgiven'). The frontpage was released to media ahead of the newspaper's publication on January 14, 2015, its first issue since an attack on the weekly's Paris offices last week left 12 people dead, including several cartoonists. It also shows Mohammed with a tear in his eye. AFP PHOTO / HO /CHARLIE HEBDO = RESTRICTED TO EDITORIAL USE -- MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO / HO/CHARLIE HEBDO- NO MARKETING - NO ADVERTISING CAMPAIGNS -- DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS

 Com uma nova caricatura de Maomé, a edição do jornal satírico francês "Charlie Hebdo" lançada nesta quarta-feira (14) foi alvo de duras críticas de líderes religiosos muçulmanos, de países como o Irã e da milícia radical Estado Islâmico.

Esta é a primeira edição do semanário desde o atentado à sua redação, que deixou 12 mortos. Em comunicado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Marzieh Afkham, considerou a capa "insultante" e condenou o gesto do periódico atacado.

"O desenho fere os sentimentos dos muçulmanos e pode desatar um novo círculo vicioso do terrorismo", diz a nota. "O abuso da liberdade de expressão, estendido atualmente no Ocidente, não é aceitável e deve ser impedido".

O Estado Islâmico também externou sua revolta. Através da rádio Al Bayan, a milícia radical considerou estúpida a publicação das novas caricaturas. "Este jornal ateu tenta hoje lucrar com os acontecimentos tendo um rendimento material vendendo uma edição que insulta o profeta".

Para a União Mundial dos Ulemás, o semanário não foi sensato ao publicar novos desenhos de Maomé.

"Se concordamos que [os autores do atentado] são uma minoria que não representa o islã, como podem responder com atos que não são dirigidos a eles, mas contra o profeta venerado por 1,5 bilhão de muçulmanos?".

As caricaturas ainda foram criticados pela instituição religiosa de Al Azhar, a mais importante do islamismo sunita, embora tenha pedido a seus seguidores que ignorem a capa da nova edição do "Charlie Hebdo".

No comunicado, a Al Azhar atribuiu a iniciativa do semanário ao que chamou de "imaginação doente que viola as restrições morais e civilizadas". "A posição do profeta Maomé é muito maior e sublime para que seja ofendida por caricaturas imorais".

Turquia

Embora a crítica tenha sido generalizada no Oriente Médio, as charges do "Charlie Hebdo" desta quarta foram publicadas na Turquia. Devido à iniciativa, a redação e a gráfica do diário "Cumhuriyet" amanheceram sob forte esquema de segurança.

Segundo a publicação, as quatro páginas publicadas com desenhos do jornal francês foram vistas pela polícia, que entrou na gráfica do diário, em Istambul, antes de autorizar a distribuição dos exemplares desta quarta-feira.

Segundo a agência de notícias estatal Anadolu, dezenas de estudantes pró-islâmicos fazem um protesto na sucursal do jornal na capital Ancara.