Um clássico de Rodrigues e um relato de uma vida inspiradora

Estreiam amanhã na campanha “Toda Nudez Será Castigada” e “Eles Também Falam de Amor”

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |


A atriz Lélia Rolim interpretando uma das facetas de sua tia-avó
©netun lima
A atriz Lélia Rolim interpretando uma das facetas de sua tia-avó

Foi em 1965 que Nelson Rodrigues publicou o texto de “Toda Nudez Será Castigada”. A peça se tornaria sucesso nas mãos do diretor polonês Ziembinski ainda no mesmo ano e passaria a integrar o hall de grandes obras do escritor carioca. Recentemente, a obra foi adaptada pela companhia mineira Cia. Arlecchino e volta a entrar em cartaz a partir de amanhã, no Teatro Francisco Nunes, como parte da Campanha de Popularização Teatro e Dança.

A conhecida história do viúvo Herculano que promete ao filho de 18 anos nunca substituir a mãe, mas inicia uma história de amor com a prostituta Geni, teve a direção, nessa montagem, assinada Kalluh Araújo.

Embora a narrativa seja inspirada em tragédias cariocas há, na opinião do diretor, uma ligação entre a sociedade mineira. De acordo com entrevista dada por ele, o texto é moderno até nos dias de hoje, o que comprova que Rodrigues não era um escritor caduco. Ele completa afirmando que a obra é impactante e revela um puritanismo velado, algo que é facilmente visto nas terras mineiras.

Outra peça que estreia amanhã é “Eles Também Falam de Amor”. Apesar de a história não ser um clássico, nem mesmo ter uma autora conhecida internacionalmente, tem mérito por unir com leveza a edificante história de Efigênia Rolim ao lirismo cênico. “Tudo começou quando ela viu um papel de bala do chão e achou que fosse um joia. Pegou e começou a fazer arte, enfeitando chinelos, depois esculturas, e nunca mais parou. Ela já contabilizava quase 70 anos quando isso aconteceu e, desde então, já recebeu prêmios e inspirou trabalhos da TV”, conta Lélia Rolim, sobrinha-neta e autora do texto que surgiu como trabalho de conclusão de curso.

No palco, Lélia interpreta a parente juntamente com outros dois atores. Curiosamente, um deles é homem. “Quando começamos a pensar no texto, chegamos a conclusão de que Efigênia era uma figura muito forte, e durante a conversa com a diretora (Raquel Castro) achamos que a representaríamos melhor dessa maneira”, comenta.

Ainda trabalhando diariamente, Efigênia teve a oportunidade de assistir à peça algumas vezes. Não só aprovou a forma como a história de sua vida como foi contada, mas afirmou que o ator masculino foi o que melhor identificou e brincou: “Esse cara sou eu”.

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