Formas tropicais efêmeras

O muralista carioca João Lelo, radicado em São Paulo, pinta araras e peixes no Projeto Parede, às vistas do público

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

Chapadas. O trabalho que João Lelo vai desenvolver para o Projeto Parde apresenta peixes e arraras em formas geométricas e chapadas
joão Lelo/ Divulgação
Chapadas. O trabalho que João Lelo vai desenvolver para o Projeto Parde apresenta peixes e arraras em formas geométricas e chapadas

Aos 34 anos, o carioca João Lelo já deixou seus padrões e formas geométricas impressos em murais de Córdoba, Mendonza, (na Argentina) e de Barcelona (na Espanha), só para citar três destinos recentes. Também participou de competições internacionais na Suíça e nos Estados Unidos. Em todas essas ocasiões, fez questão de desviar-se dos estigmas associados à brasilidade. “Às vezes chamam para desenhar clichês tropicais, favelas. Eu tinha a preocupação de não ser tachado como artista”, conta.

No mural que começa a pintar amanhã no Sesc Palladium, pelo Projeto Parede, integrando a programação do 9º Verão Arte Contemporânea, Lelo muda de postura. “Agora deu vontade de brincar com isso”, diz. A pintura foi batizada justamente de “Tropikania” e será formada por araras e peixes, em verde e amarelo, como numa “propaganda tropical”. “É uma ironia com a minha própria obra”, diz.

O trabalho de Lelo, radicado em São Paulo, tem sido marcado pela representação geométrica de animais, inspirada no construtivismo brasileiro dos anos 60. Outra referência forte vem do designer gráfico, com formas chapadas preenchidas por padrões. “Por trabalhar com linhas limpas e sem muito volume, o padrão entra para tirar a monotonia, como um trabalho de estamparia”, diz.

O muro de aves e peixes será pintado com tinta e estêncil às vistas dos transeuntes até o dia 21 deste mês. Lelo fará um live painting “involuntário”, transformando o processo de pintura em performance, uma vez que será realizado em espaço aberto. Depois que terminar, essa etapa do trabalho ainda poderá ser vista em um vídeo de making off.

A obra permanecerá aberta à visitação até 1º de março. Então, deve ser recoberta pelo mural de outro artista. Lelo está habituado a essa efemeridade que caracteriza parte da arte urbana. “Quando comecei, pintava paredes na rua e não sabia o quanto iriam durar. Às vezes, dois ou três dias. Quando trabalho, tento não pensar nisso, faço como se fossem para sempre”, diz. “Mas, hoje, trabalho muito com murais permanentes, feitos para instituições”.

Esta não será a primeira vez que Lelo mostra o seu trabalho em Belo Horizonte. Ele já fez uma exposição de telas com a Mini Galeria. E pintou muros na Floresta e no centro da cidade. Só não se lembra em quais ruas nem sabe se sobreviveram ao tempo.

Agenda

O Quê. Mural “Tropikania”, de João Lelo, no Projeto Parede

Quando. Abertura amanhã. De terça a domingo, das 9h às 21h. Até 1º de março.

Onde. Sesc Palladium (av. Augusto do Lima, 420, Centro), (31) 3214-5350.

Quanto. Entrada franca.

Viagens

O trabalho de João Lelo já alcançou o público, por meio de exposições ou publicações em países como Argentina, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Áustria, Grécia e África do Sul.

Em dezembro, Lelo apareceu na revista alemã Art-Magazin. Em Córdoba, pintou um mural às margens do Rio Suquia, em novembro.

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