‘Ele virou uma estrela do dia para a noite’

Elogiado por diretores, Benedict Cumberbatch diz que gosta de papéis que refletem uma complexidade real

iG Minas Gerais | Charles Mcgrath |

Mente brilhante. Ator é mais conhecido por seu papel na série de Tv “Sherlock”
CHIRS BUCK
Mente brilhante. Ator é mais conhecido por seu papel na série de Tv “Sherlock”

Nova York, Estados Unidos. Muitas pessoas compararam Alan Turing, do filme “O Jogo das Imitações”, a Sherlock, da série de TV homônima, e Benedict Cumberbatch, intérprete dos dois personagens, afirmou que – embora ambos sejam brilhantes em suas deduções e tenham dificuldades com as habilidades interpessoais – ele vê mais características comuns entre Turing e Christopher Tietjens, seu personagem em “Parade’s End”, uma minissérie em cinco episódios produzida em 2012 pela BBC a partir dos romances de Ford Madox Ford. 

Tietjens, baseado livremente no próprio Ford, é um típico aristocrata de Yorkshire que se prende aos valores eduardianos às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Dizem que ele era o homem mais inteligente de Londres, mas, assim como Turing, não se dá muito bem com as pessoas.

“Ele é um homem brilhante, arrogante frente à estupidez e a indiscrição moral. Ele vive em uma era de hipocrisia, e é um homem fora de sincronia. As mesmas coisas valem para Turing”. Cumberbatch também insistiu em mostrar que ambos não eram tão inábeis assim.

“Os personagens que realmente nos interessam, que refletem uma complexidade real”. Pausa. “Acho que estou falando mais sobre mim do que deveria, mas me parece muito simplista falar sobre eles apenas em termos de facilidade e dificuldade de viver em sociedade. Acredito que justamente porque são extraordinários – porque respiram o ar mais rarefeito – é que eles são tão diferentes e, portanto, distintos. Mas não deixam de ser inspiradores”.

Antes de contratá-lo, Steven Spielberg (que dirigiu “Cavalo de Guerra’) nunca tinha assistido “Sherlock”, nem Steve McQueen (de “12 Anos de Escravidão”), nem Tyldum. John Wells, diretor de “Álbum de Família”, deu a Cumberbatch o papel do carente e vulnerável Little Charles (o oposto diametral de todos aqueles excêntricos cerebrais) depois que Cumberbatch enviou um vídeo teste feito pelo celular.

“Ele era extraordinário e eu fiquei meio envergonhado por não saber quem ele era”, confessou Wells.

Quando a diretora Susanna White contratou Cumberbatch para “Parade’s End”, também não havia assistido “Sherlock”. Ela o conhecia por seu papel na minissérie da BBC “To the Ends of the Earth”, na qual ele interpretava um jovem aristocrata britânico que viajava de navio para a Austrália. Ele estava “bem cotado, mas não no topo da nossa lista”, afirmou recentemente, sugerindo que Cumberbatch “é tão pé no chão que demorou algum tempo para que ele fizesse sucesso”.

“Ele sabe quais são as dificuldades”, afirmou.

White não o contratou por suas qualidades de estrela de cinema, mas por sua inteligência e rapidez. O roteiro, escrito por Tom Stoppard, era denso e complicado, explicou, e Stoppard, que passou boa parte do tempo no set, exigia que as falas fossem ditas exatamente como ele as escreveu. Como o personagem de Tietjens não é muito agradável, Susanna precisava de um ator que fizesse o público se apaixonar.

“Foi um baita desafio. Mas sua energia é ilimitada – ele simplesmente não se cansa. E tem a habilidade incrível de encarnar o personagem”.

Agora, sempre que ela sai com Cumberbatch, os dois são cercados.

“Ele não tem cara de galã – sua aparência não combina com isso –, mas as pessoas o adoram. Todo mundo: minha filha adolescente, minha mãe, que já tem mais de 90 anos. Do dia para a noite, ele virou uma estrela”.

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