Familiares de detentos em greve de fome acampam em frente ao presídio

Os presos iniciaram uma greve de fome nessa segunda, mas segundo a Seds, eles voltaram a se alimentar à noite; no entanto, familiares dizem que o protesto continua

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

A promotoria de Execução Penal do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) está reunida nesta terça-feira (13) com os detentos do Presídio Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. O motivo é uma greve de fome que os detentos iniciaram nessa segunda-feira (12) por melhorias no presídio e a saída do atual diretor.

Conforme a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), os detentos voltaram a se alimentar no mesmo dia, por volta de 19h. Porém, familiares de presos que estão acampados no local negam. “Eles continuam sem comer, e a gente não sabe o que está acontecendo lá dentro. Veio promotoria aqui e eles estão lá reunidos. Não sabemos o que está acontecendo, parece que está havendo uma rebelião”, contou a mãe de um dos detentos, que preferiu não se identificar.

Familiares de presos, principalmente, mulheres e mães, estão acampados ao lado de fora do presídio. A Seds nega que haja uma rebelião no local, mas disse que ainda está levantando as informações sobre a situação para informar à reportagem. Já o MPMG informou que a promotora de Execução Penal Ana Cecília só poderá falar sobre o assunto depois da reunião.

A motivação da greve de fome, segundo os familiares dos detentos é, principalmente, a falta de água. “A reivindicação mais grave é a falta de água no presídio. Eles estão desde ontem sem água. Além disso, a comida que eles consomem, muitas vezes, vem estragada, azeda, e eles não recebem medicamentos nem atendimento médico quando necessário”, contou a mulher de um dos presos, que também não será identificada.

Ela também reclama da falta de um espaço para a visita das crianças e da superlotação. “Pra você ver, cada cela cabe 12 presos, mas tem uma média de 30 homens em cada uma. O espaço pras crianças, é um pátio fechado, onde cabem 50 pessoas, mas ficam ali 200 na hora da visita. Gente fumando perto das crianças, não é um espaço adequado”, conta.

Ainda conforme familiares, os presos pedem pela saída do atual diretor do presídio, já que as reclamações começaram a acontecer depois da entrada dele na administração.  

Leia tudo sobre: José Martinho Drumond