Levy sinaliza mudança de IR para prestador de serviço

O ministro afirmou que deve analisar a situação de "pessoas que têm renda através de pequena empresa, que pagam 4%, 5% de imposto em vez de 27,5%"

iG Minas Gerais | Folhapress |

Ajustes.
 Joaquim Levy afirma que pacote de ajustes das contas públicas tem que ser “balanceado”
Antonio Cruz/Agência Brasil
Ajustes. Joaquim Levy afirma que pacote de ajustes das contas públicas tem que ser “balanceado”

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta terça-feira (13) que haverá ajustes de impostos, sem ser específico. Ele negou que esses ajustes estejam dentro de um "saco de maldades", como questionou a imprensa, e que haverá um "pacote" dessas medidas.

Dentro do esforço do governo de aumentar suas receitas para reequilibrar as contas, Levy sinalizou que poderá haver mudanças na cobrança de imposto de renda para prestadores de serviços que recebem como pessoa jurídica.

O ministro afirmou que deve analisar a situação de "pessoas que têm renda através de pequena empresa, que pagam 4%, 5% de imposto em vez de 27,5%", e que isso deve ser prioridade dentro de possíveis mudanças na cobrança do IR. "Primeiro teria que tratar desse egrégio."

Levy disse ainda que deve rever a isenção do IR sobre investimentos em Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), dentro da estratégia de "melhorar a composição de investimentos".

O ministro afirmou que a mudança não deve ser "imediata", tendo que passar ainda por consulta. Ele sinalizou ainda que pode haver ajuste nos instrumentos de poupança, sem dar detalhes.

Segundo o titular da Fazenda, o aumento de impostos será "compatível" com o objetivo de aumentar a poupança pública.

Setor elétrico

Levy indicou que não haverá aportes do Tesouro Nacional para o setor elétrico e que o custo para sanar a crise das distribuidoras será bancado pelos consumidores, nas contas de luz.

"Essa despesa pode, pela previsão legal, ser passada para o contribuinte ou para o consumidor. É menos eficiente que seja suportada pelo contribuinte", afirmou o ministro, durante café da manhã com sua equipe de secretários e jornalistas.

Para Levy, esse custo é muito pesado dentro do atual contexto de aperto fiscal. Quando o Tesouro banca essa conta, sustentado pelo contribuinte, perde-se o controle do preço desse subsídio, defendeu. "Queremos levar essa despesa para o ambiente que lhe é natural", disse.

Levy falou da necessidade de medidas estruturais e estruturantes, uma estratégia de governo para lidar com esses problemas, mas disse que a fórmula vai depender da ação da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) nas próximas semanas.

Petrobras

É tradição que o ministro da Fazenda seja presidente do Conselho de Administração da Petrobras, mas Levy não cravou que assumirá a função.

Mesmo assim, defendeu que a decisão de preços dos combustíveis deve seguir uma "avaliação empresarial", deixando implícita uma orientação de menor interferência política nesse processo.

Dívida

Levy afirmou que reduzir a dívida bruta brasileira para abaixo de 50% do PIB é um dos objetivos de sua gestão. A dívida bruta está em 63% do PIB, conforme dados de novembro.

Segundo ele, vai depender da política fiscal e do crescimento da economia para essa meta ser atingida, o que não tem prazo para acontecer. Ele espera estabilizar a dívida este ano e iniciar trajetória de queda em 2016.

A dívida bruta será um dos principais parâmetros usados por Levy para medir a solidez e estabilidade da economia. "Temos que ter ambição de chegar a um 'rating' de A", disse. "Não há razão para o Brasil não estar entre os melhores".

Davos

Levy disse que deve ir ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que começa em 22 de janeiro, e levará a mensagem de que o Brasil é uma economia com grandes recursos, que sabe fazer mudanças na condução da sua política macroeconômica, mantendo benefícios sociais.

Levy quer levar a imagem de um "Brasil dinâmico, ágil, atento às demandas dos jovens", e com o desafio de melhorar a qualidade dos gastos públicos.

Sobre a inflação, que se mantém perto do limite máximo e terá em janeiro um resultado fortemente pressionado pela alta de tarifas, ele afirmou que um "mix de política fiscal e monetária" será conduzido.

Com redução de gastos, não ficará tão pesado para o Banco Central o controle da inflação, defendeu.

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